Cúpula do setor aéreo não se entende sobre a ?crise?

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Waldir Pires e a Constituição: limitações? no cargo.

Brasília – O ministro da Defesa, Waldir Pires, admitiu que a crise aérea decorre de ?problemas de recursos humanos e falhas em equipamentos? e que a origem dos problemas está também em ?procedimentos de gestão?. A opinião do ministro diverge da do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e da do diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi. Os três prestaram esclarecimentos sobre o ?apagão aéreo? em comissão na Câmara, ontem.

Segundo Saito, o atual sistema de controle do tráfego aéreo é moderno. ?Dizem que o sistema é obsoleto?, comentou, exibindo imagens das instalações e equipamentos do Cindacta-4 (centro de controle do tráfego aéreo na Amazônia). ?São supermodernos. Este entrou em operação em novembro de 2005.?

Em seguida, apresentou imagens do Cindacta-1, de Brasília, e afirmou: ?É um sistema muito moderno. O pessoal trabalha com todo o conforto, tem ar-condicionado e sala de descanso?. E acrescentou que, quando há uma revitalização do sistema, este fica ?dez anos sem obsolescência?.

Zuanazzi foi na linha do comandante da Aeronáutica e rejeitou a idéia de crise. ?Não há crise no setor aéreo, estamos longe disso. A verdadeira crise foi a que superamos a partir de 2004.? E insistiu na afirmação de que o setor aéreo vive neste momento ?sua melhor performance, do ponto de vista de oferta de assentos e de demanda?.

Ao falar do que considera uma ?verdadeira crise?, o diretor-presidente da Anac se referiu ao período de 1999 a 2003, ?quando houve a desvalorização do real, as empresas aéreas estavam com dívidas em dólar, a aviação mundial enfrentava as conseqüências do atentado de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e duas grandes operadoras brasileiras – TAM e Varig – estavam no vermelho?.

Ministro da Defesa

Durante sua exposição, Pires mostrou-se tenso. Apesar de admitir problemas de recursos humanos e falhas em equipamentos, ele fez a ressalva de que tem um ?respeito extraordinário? pelo comandante da Aeronáutica. O ministro fez reiterados elogios ao ?brigadeiro Saito e seus comandados? e, ao presidente da infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, e ao diretor da Anac, Milton Zuanazzi, ambos também presentes à audiência.

Insistiu, também, na afirmação de que a legitimidade do mandato do ministro de Estado ?decorre simplesmente da escolha do presidente da República, que exerce a soberania popular e o comando supremo das Forças Armadas?. E admitiu que seu poder em relação ao comando aéreo, como ministro, é limitado pela Constituição. ?Minha participação, minhas atribuições são um campo restrito, estreito?, disse.

Comando não crê em saída de controladores

Brasília (AE) – O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, disse ontem, na Câmara, que não acredita que haverá baixa coletiva entre os controladores militares de vôo, muitos dos quais ameaçam deixar a Força Aérea. ?Não acredito em baixa coletiva. Seria um tiro no pé?, afirmou o brigadeiro.

Na terça-feira, o presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo (ABCTA), Wellington Rodrigues, afirmou que um grupo de pelo menos 50 profissionais que atuam no Cindacta-1, em Brasília, avaliava a possibilidade de deixar os cargos. A entidade, segundo ele, é contrária a essa decisão.

Saito relatou, em depoimento à Comissão de Fiscalização e Controle, que se encontrou recentemente com a mãe de um sargento, que, preocupada, lhe perguntou sobre eventuais punições a controladores por causa da paralisação do dia 30 de março. ?Eu disse e repito: ?Não estando envolvido (na paralisação), não há nada a temer??, contou.

Relatórios do Cindacta acusam falhas em radares e ?vôos cegos?

Brasília (AE) – Relatórios de perigo do Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer), feitos por controladores de vôos de Brasília (Cindacta-1), informam que aviões desaparecem dos radares, há inúmeras multiplicações de alvos e de pistas e aeronaves mudam repentinamente de altitude. Os relatórios foram entregues ao deputado Wanderley Macris (PSDB-SP).

De acordo com um relatório do dia 13 de março, os fenômenos de desaparecimento, multiplicação de alvo e mudança de altitude foram verificados com os vôos TAM 3507, 3823, 3863, 3833, 3096 e 3141, da Gol 1567 e 1693, e da VRN 2881. ?Informo que ainda estão ocorrendo inúmeras multiplicações de alvo?, relatou o controlador. Em seguida, ele enumerou os vôos e as posições em que se encontravam as aeronaves.

O comando da Aeronáutica informou que os relatórios de perigo são todos motivos de investigação do Sipaer. Eles podem ser abertos por controladores de vôo e por qualquer cidadão ao acessar a página do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), pegar o modelo, fazer um relatório e encaminhá-lo à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ou a qualquer autoridade da Aeronáutica ou da Infraero nos aeroportos.

Também foram entregues ao deputado Wanderley Macris cópias de ocorrências técnicas feitas nos sistemas de controle de vôo. Uma delas informa que o monitor do equipamento X-4000 do Cindacta-1 apresentava oscilações, que um computador estava inoperante e que havia problemas com a freqüência 135.550 mhz na região de Três Marias (MG). Também foram relatadas como inoperantes, com eco ou baixas freqüências, os radares sobre as regiões de Jataí (GO), Gurupi (TO) e Varginha (MG).

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