Brasília – Os ministros José Dirceu (Casa Civil), Antônio Palocci (Fazenda) e Luiz Gushiken (Comunicação de Governo), os líderes Aloizio Mercadante, Professor Luizinho e Arlindo Chinaglia, os presidente da Câmara, João Paulo Cunha, e do PT, José Genoino, são todos petistas, poderosos e paulistas. As afinidades, porém, não garantem uma convivência harmônica. Ao contrário. O grupo vive em permanente estado de disputa por espaço e poder no governo federal, levando para Brasília as rivalidades da política paulista. Sobra para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As trombadas entre os integrantes do grupo dos paulistas têm provocado muitas dores de cabeça no presidente. “Há 20 anos estamos juntos. A divergência é na questão da hora. Não há nem antes nem depois”, afirma o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante. A questão da hora é a emenda constitucional que permite a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado. João Paulo trabalha para ter o direito de ficar mais dois anos no cargo, a partir de 2005. Com ele está Dirceu. Contra os dois está Mercadante.

Nesta semana, a briga promete pegar fogo. João Paulo planeja votar o projeto na quarta-feira. E a disputa, que envolve outros governistas como o presidente do Senado, José Sarney, e o líder do PMDB, senador Renan Calheiros, provocou uma das maiores derrotas para o governo: a derrubada da MP que proibia os bingos no País.

Mercadante diz ser contra a reeleição porque a tese atrapalha a governabilidade por rachar o PMDB. Sem os peemedebistas, a base governista fica frágil tanto no Senado como na Câmara. O líder do governo se equilibra entre Renan e Sarney.

Além das razões de Estado, há motivos pessoais para Mercadante ser contra a emenda. Ele sabe que, depois de dois mandatos consecutivos no comando da Câmara, João Paulo se cacifaria para disputar o governo de São Paulo, objetivo de nove entre dez petistas da cúpula do partido. O senador nega tal ambição, mas colegas do PT consideram-no um candidato natural ao cargo.

“A eleição de 2006 não está na pauta. O que está é o governo dar certo. E, para isso, precisamos do PMDB unido. Não patrocino confronto entre Renan e Sarney”, diz Mercadante. Como o senador, João Paulo também nega ter interesse na eleição para governador. “Meu candidato é o Genoino”, diz João Paulo.

Genoino, por sua vez, jura que está fora do páreo. Em 2002, perdeu a eleição no segundo turno para o tucano Geraldo Alckmin. O escândalo Waldomiro Diniz dificultou, por ora, as pretensões de Dirceu.