Mais da metade das mulheres vítimas de estupro no Rio em 2011 são crianças, apontou o Dossiê Mulher, estudo divulgado hoje pelo ISP (Instituto de Segurança Pública), órgão do governo estadual. De acordo com a pesquisa, 2.156 meninas com até 14 anos foram vítimas do crime no ano passado.

Segundo os dados do ISP, a maior parte dos agressores estão no contexto doméstico ou familiar da vítimas -são companheiros ou parentes das vítimas. O perfil se repete nas ameaças e nas lesões corporais dolosas contra mulheres.

O levantamento foi feito a partir de registros de ocorrência, base de dados do instituto.

 

“A visão do agressor como algo distante não é bem a nossa realidade. O sexo não consentido no casamento também é estupro. E poucas mulheres sabem disso”, afirmou a major Cláudia Moraes, pesquisadora do ISP.

 

De acordo o dossiê, do total de estupro registrado no Estado em 2011, 82,6% teve como vítima mulheres. Elas também são maioria entre os alvos de ameaça (66,8%) e lesão corporal dolosa (64,5%).

Nesses três crimes, segundo os dados, o autor geralmente faz parte do contexto doméstico ou familiar da vítima. O principal é a lesão corporal dolosa, no qual 64,1% dos acusados são companheiros ou parentes, seguido de ameaça (60,1%) e estupro (40,6%).

As mulheres representam apenas 7,1% das vítimas de homicídios dolosos. Mas, de acordo com dados da pesquisa, a evolução dos casos não tem acompanhado sempre a redução dos assassinatos no Estado.

Enquanto no geral, há queda constante desde 2007, entre o sexo feminino há variação. Entre 2010 e 2011, houve leve alta de 1,3%.

“O homicídio contra mulheres tem especificidades. Não há um remédio único para o problema. Nesse caso, talvez seja necessário uma integração entre polícia e ações da prefeitura e da Justiça para fazer uma análise mais aprofundada”, disse o coronel Paulo Teixeira, presidente do ISP.