O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Grampos, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), vai apresentar amanhã seu relatório final. Pelo que sinalizou hoje, ele não deverá pedir os indiciamentos do delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Queiroz, ex-chefe da Operação Satiagraha, do ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda e do banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity. “Não gostaria que o resultado da CPI fosse medido pelo pedido de indiciamento de A, B ou C. Tenho minhas convicções pessoais e concepções filosóficas e de formação, e meu relatório seguirá essa linha. Tudo que tiver no meu relatório é com base em prova. Eu não vou mudar. Trabalhei 16 meses nessa CPI”, disse Pellegrino, negando pressão do Planalto para encerrar logo a investigação.

A CPI dos Grampos foi criada em dezembro de 2007 e oficialmente tem até o dia 14 de maio para ser concluída. Pellegrino observou também não ver razões para pedir indiciamento de pessoas que já estão, de fato, indiciadas. Dantas já foi indiciado pela Justiça e Protógenes pela PF.

Diante da sinalização de Pellegrino em relação aos não-pedidos de indiciamento, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), advertiu que espera que a postura da comissão não seja usada em defesa dos acusados. “Não quero que a CPI seja usada pela defesa para falar que como a CPI não indiciou, como Estado pode (indiciar)?” O presidente da CPI já afirmou reiteradas vezes que vai apresentar um voto em separado pedindo os indiciamentos de Lacerda e Protógenes por falso testemunho e de Dantas por interceptações telefônicas.

Para Itagiba, falta à CPI ouvir três depoimentos importantes: o do juiz da 6ª Vara Federal Criminal, Fausto De Sanctis, o do procurador da República Rodrigo De Grandis e de Paulo Lacerda. Na semana passada, Lacerda, hoje adido policial em Portugal, conseguiu habeas-corpus junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) para não vir ao Brasil depor. Ele alegou dificuldade em deixar Lisboa neste momento.