Agência Brasil
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Gilberto Carvalho: envolvido nas denúncias do caso Daniel.

Brasília – Com voto de Minerva de seu presidente, senador Efraim Morais (PFL-PB), a CPI dos Bingos aprovou requerimento do relator, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), convocando para depor o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. A votação havia empatado por seis votos contra seis, quando Morais a desempatou.

A data do comparecimento de Carvalho ainda não foi marcada, mas é possível que isso ocorra já nesta quinta-feira. Carvalho foi citado no depoimento de João Francisco Daniel, irmão do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel, como a pessoa que lhe teria revelado, em três ocasiões, a existência de um esquema de extorsão na Prefeitura daquela cidade do ABC paulista em favor do PT. Segundo João Daniel, Carvalho teria contado que cabia a ele levar o dinheiro extorquido de empresas contratadas da Prefeitura de Santo André para o então presidente do PT José Dirceu (SP).

O senador Tião Viana (PT-AC) tentou convencer os colegas da CPI a aceitarem que Carvalho prestasse depoimento por escrito. A sugestão foi rejeitada, mas, em troca, os membros aceitaram proposta de Viana para que Carvalho deponha em sessão fechada, se assim o desejar. A CPI dos Bingos também aprovou a convocação de Roseana Garcia, viúva do prefeito de Campinas, Antônio Garcia, o Toninho do PT, assassinado em setembro de 2001. O requerimento foi apresentado pelo senador Geraldo Mesquita (PSOL-AC) e atende interesse da própria Roseana. Há cerca de quinze dias, quando esteve no Senado, ela declarou que seu marido foi morto por contrariar interesses dos empresário de bingos, das empresas de coleta de lixo e do transporte urbano. Ela disse não aceitar o resultado da investigação que aponta seu marido como vítima de crime comum.

Foi morto

Em seu depoimento na CPI dos Bingos, a deputada estadual do Rio de Janeiro Cidinha Campos (PDT) afirmou que o mensalão começou na Assembléia Legislativa do estado (Alerj), por iniciativa do então deputado estadual Carlos Rodrigues, mais conhecido como Bispo Rodrigues, que era do PL. A denúncia já tinha sido feita pelo deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). A deputada estadual fluminense listou os parlamentares da Alerj que, segundo ela, eram obrigados a doar parte dos salários ao então deputado federal Carlos Rodrigues (PL-RJ). Todos pertenceriam à bancada evangélica da Assembléia Legislativa: Jorge Nascimento, Mauro Luís, Magali Machado, Haroldo Macedo, Pastor Divino, Armando José e Valdeci de Paiva.

"Era um mensalão, mas um mensalão esquisito. Porque os deputados (do PL e alguns outros partidos) não recebiam dinheiro de fora, mas tinham que dar dinheiro para o Bispo Rodrigues. Todos tinham que dar e aqueles que não deram e se rebelaram perderam seus mandatos. Todos, inclusive o deputado Valdeci (Paiva, do PSL), que foi morto (em 2003, numa emboscada). Ele não queria mais dar dinheiro para o Bispo Rodrigues. Foi morto", disse. Cidinha disse que os deputados vão negar a história, que, segundo ela, porém, é verdadeira.