CPI do Senado começa pela Infraero, diz relator

 Foto: Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil

Senador Demóstenes Torres: relator.

Brasília – Instalada ontem no Senado, a CPI do Apagão Aéreo vai começar, segundo o relator Demóstenes Torres (DEM-GO), por onde a Câmara não quis: pela investigação da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), estatal que cuida dos aeroportos. ?Vamos investigar corrupção na Infraero e não deixaremos para o final, não. Vamos investigar tudo ao mesmo tempo?, revelou o relator assim que assumiu o posto.

Não é o que defende o presidente da CPI, senador Tião Viana (AC). Ele concorda que serão três os objetos da CPI dos senadores. Além da Infraero, o inquérito vai tratar das causas do apagão aéreo e do acidente da Gol, que matou 154 pessoas em setembro do ano passado. Mas diz que a CPI só cuidará das denúncias referentes à estatal que tiverem relação direta com a segurança de vôo. Demóstenes, adiantou, no entanto, que no caso da Infraero a investigação começará pelas obras do aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O Tribunal de Contas da União (TCU) já está investigando o caso e deve votar o relatório final em junho.

O que mais preocupa o governo é a CPI das ONGs proposta pelo senador Heráclito Fortes (DEM-PI), que só deverá ser instalada em meados de junho. Neste caso, a avaliação dos governistas é de que o potencial explosivo do assunto é muito grande. Embora todos tenham a ganhar e a perder com o inquérito das ONGs, como alertou a líder do governo no Congresso, senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), a avaliação geral é de que esta CPI ?não é administrável como a do apagão?.

O temor neste caso é de que uma única descoberta de irregularidade que incrimine um parlamentar puxe outra, envolvendo um adversário, e que comece aí uma seqüência incontrolável que pode contaminar todos os partidos e o governo Lula.

Primeiro dia

Após a instalação da CPI, um grupo de senadores iniciou busca de informações na Procuradoria-Geral da República, na AGU e na Polícia Federal sobre a crise no setor aéreo. Eles também foram buscar dados para seus trabalhos na CPI da Câmara que, igualmente, investiga a crise aérea. 

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