Brasília (AE) – Em depoimento confuso e marcado por imprecisões de datas, a cozinheira Zildete Leite dos Reis disse ontem, à CPI dos Bingos, que presenciou visitas dos ex-ministros Antônio Palocci e José Dirceu e do presidente do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), Paulo Okamotto, ao ex-policial João Arcanjo Ribeiro, conhecido como Comendador Arcanjo, preso desde 2002 por liderar o crime organizado em Mato Grosso. Zildete afirmou que viu cada um dos petistas sair da casa de Arcanjo, em Cuiabá, com malas de dinheiro. A cozinheira contou ainda ter ouvido o empresário Sérgio Gomes da Silva, conhecido como Sombra, contar a Arcanjo que mandaria matar o prefeito de Santo André, Celso Daniel, do PT, assassinado em janeiro de 2002.

Ela percebeu a descrença dos senadores que ouviam o depoimento, mas não voltou atrás nas acusações. ?Estão duvidando da minha pessoa. Falo o que eu vi. Depois vão dizer: ?Bem que ela falou a verdade.? Não vou aumentar nada?, disse a cozinheira que voltará ao programa de proteção à testemunha, pelo qual já passou no ano passado. Os governistas da CPI se irritaram com o depoimento. ?A que ponto se chega: usar essa senhora para isso. Essa oposição não vai chegar ao poder nunca. Nem vale a pena desqualificar o depoimento?, reclamou o petista Tião Viana (AC).

O senador tucano Alvaro Dias (PR) apresentará na terça-feira um requerimento para que seja realizada uma acareação de Zildete com Palocci, Dirceu e Okamotto. ?Diria na frente deles com todo prazer?, afirmou Zildete. Dias pedirá, mais uma vez, a quebra de sigilo de Okamotto. Outro requerimento no mesmo sentido já foi aprovado, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) impediu a CPI de ter acesso às informações. ?Não tenho motivo para não acreditar na senhora Zildete nem razão para não permitir que os acusados se defendam?, afirmou Dias.

À CPI, a cozinheira disse lembrar ?muito bem? de Dirceu, Palocci e Okamotto na casa, e reconheceu fotos dos três.

O relator decidiu fazer uma menção ao depoimento de Zildete no relatório final, a ser apresentado à comissão na próxima quarta-feira, mas ressalvou que seriam necessárias novas investigações para aprofundar o caso. ?Se for necessário, depois farei um adendo ao relatório?, disse o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).