O presidente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, afirmou que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) deve ultrapassar 80% ou 81% no fim do ano. “A partir daí, as decisões de investimento começam a ser deflagradas”, disse Coutinho. O uso da capacidade instalada está em torno de 79%, depois de ter caído para 74%. Coutinho ressaltou que a ociosidade é maior na indústria de manufaturados, pois o uso foi reduzido em função da necessidade de ajustar estoques. “Os planos de investimento não foram cancelados, mas adiados”, disse hoje, no evento Destaque Agência Estado Empresas.

Coutinho ressaltou que, mesmo com a queda de 0,8% no Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, o consumo das famílias aumentou 0,7%. Segundo o presidente do BNDES, o Brasil crescerá 4% em 2010. “Poderemos crescer mais daí em diante. O crescimento da economia brasileira será maior que o da mundial nos próximos anos”, afirmou, destacando que espera que a expansão seja acompanhada de melhor distribuição de renda, qualidade de vida e de mais respeito ao meio ambiente.

Segundo ele, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) deve ficar em 19% no último trimestre, quando a meta de que o investimento alcance 21% do PIB poderá ser retomada. De acordo com Coutinho, o BNDES, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e o Ministério da Fazenda estão conversando sobre a possibilidade de redução de custos para estimular investimentos. Uma das possibilidades avaliadas pelo BNDES é melhorar as condições para o setor de bens de capital (máquinas e equipamentos), o mais afetado em função da crise financeira internacional.

Coutinho destacou o crescimento de setores como petróleo e gás, principalmente por meio dos investimentos da Petrobras, energia e rodovias e ferrovias. O desempenho esperado para a construção no segundo semestre, quando os efeitos do “Minha Casa, Minha Vida” serão sentidos, também contribuirá para o crescimento esperado. “O Brasil tem projetos de larga escala em forte expansão. Muitos deles foram definidos por decisão do governo e não foram afetados pela crise”, disse o presidente do BNDES.

Petrobras

Coutinho afirmou que as tratativas para o contrato de financiamento de R$ 25 bilhões à Petrobras estão em fase final. “O contrato deve ser assinado ainda em junho”, disse Coutinho. A expectativa do presidente do BNDES é de que os desembolsos comecem a ser feitos no fim de junho ou início de julho.

Segundo Coutinho, os desembolsos do BNDES deverão somar R$ 120 bilhões este ano, incluindo os aportes destinados à Petrobras. A disponibilidade de recursos do BNDES para este ano é de R$ 166 bilhões, mas, conforme Coutinho, o desembolso do total seria uma meta se o sistema bancário privado não estivesse se recuperando. “Felizmente, o sistema bancário já melhorou muito”, disse.

Na avaliação de Coutinho, a retomada do mercado de capitais também desonera o BNDES de ter de fazer “um esforço tão grande” na liberação de recursos. “No segundo semestre, o mercado de capitais estará muito vibrante, com o retorno dos IPOs (lançamentos iniciais de ações), que estão sendo estruturados”, afirmou.

Brasil Foods

O presidente do BNDES disse que a instituição financeira provavelmente irá participar do processo de recapitalização da Brasil Foods, empresa que será formada a partir da união da Sadia com a Perdigão. “Nós temos uma visão muito otimista de que poderemos dar garantia firme em parte da oferta, mas nossa participação pode não ser necessária”, afirmou. Ele disse que os fundos de pensão que já são acionistas das duas companhias devem subscrever parte das ações da oferta e que aqueles investidores que não são acionistas também devem participar da subscrição.

Questionado se a intenção do banco é reforçar a parceria com fundos de pensão para assegurar a tomada de decisões conjuntas, Coutinho respondeu que o BNDES não fará parte do controle da nova empresa. “Isso é uma operação só de mercado. Vamos analisar as condições. O BNDES vai entrar como investidor se as condições forem favoráveis”, acrescentou Coutinho. Ele disse ainda que a oferta pública precisa ser precedida dos atos de estruturação da empresa e dos acertos com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).