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Luiz Marinho (centro)
durante manifestação.

 São Paulo – O governo recua e admite que vai corrigir também as deduções do imposto de renda – educação, saúde e dependentes – em 10%, como definiu para a tabela. A informação foi dada ontem, pelo presidente da CUT, Luiz Marinho, que esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na semana passada, o secretário-adjunto da Receita Federal, Ricardo Pinheiro, havia informado que a correção de 10% valeria apenas para as faixas salariais de incidência de IR. Com isso, o impacto do reajuste de 10% cairia para 7%.

A declaração de Pinheiro foi mal-recebida entre os sindicalistas, que dias antes haviam se encontrado com Lula para reivindicar a correção da tabela de IR. É que os sindicalistas pediam inicialmente, um reajuste de 17% – variação da inflação no governo Lula – na tabela de IR. Eles acabaram aceitando os 10%. Mas rejeitaram a idéia de aplicar o ajuste de 10% apenas nas faixas salariais.

Simulações feitas por tributaristas mostram que o impacto do reajuste de 10% é insignificante para os assalariados. Para um trabalhador que ganha R$ 2.500 por mês, o ganho mensal será de apenas R$ 14,81. Já aqueles que têm um rendimento médio mensal de até R$ 2.000 vão ter um ganho de imposto menor. Para esses, a redução no IR retido mensalmente na fonte será de apenas R$ 0,87.

Segundo Marinho, o presidente teria garantido já anteontem à noite, por telefone, que o reajuste de 10% valeria para as faixas salariais e para o limite de deduções de IR. A Receita Federal, porém, informou que não vai se pronunciar sobre as declarações de Marinho.

A tabela do IR foi corrigida pela última vez em 2002 – em 17,5%. Em agosto deste ano, o governo criou o redutor de R$ 100 aplicado à base de cálculo do imposto.

A medida, que vale até o final deste mês (incluindo o 13.º salário) e apenas para os trabalhadores assalariados, foi uma resposta temporária à reivindicação das centrais sindicais de corrigir a tabela.

Na época em que o redutor foi anunciado, o governo também se comprometeu com os líderes sindicais a promover uma alteração definitiva no IR a partir de 2005.

Pelos cálculos do governo, a correção da tabela em 10% provocará perda de arrecadação de R$ 2 bilhões no próximo ano.