A Companhia de Saneamento do Estado de Minas Gerais (Copasa) anunciou nesta quinta-feira medidas para minimizar a situação do sistema de abastecimento de água nos municípios atendidos pela empresa, entre elas rodízio na região metropolitana de Belo Horizonte. Levantamento realizado pela nova diretoria, empossada na última sexta-feira, mostra uma situação “crítica” no sistema. A companhia acusa o governo anterior de não ter tomados as medidas necessárias para evitar o comprometimento do abastecimento.

“O relatório, elaborado em caráter de emergência por determinação do governador Fernando Pimentel (PT), também deixa claro que o governo anterior tinha conhecimento da situação, mas não tomou medidas necessárias para evitar o comprometimento do abastecimento”, diz a Copasa, no comunicado. “Mesmo com a estiagem prolongada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o governo anterior optou por manter a distribuição de água para a população em níveis estáveis nos últimos dois anos.”

A companhia explica que o Sistema Paraopeba, que abastece a Região Metropolitana de Belo Horizonte, e é composto pelos reservatórios Serra Azul, Rio Manso e Vargem das Flores, está operando atualmente com 30,25% de sua capacidade. “Dos três reservatórios, o que apresenta a pior condição é o Sistema Serra Azul, que atualmente está com apenas 5,73% de seu volume, praticamente já operando em seu volume morto”, afirma. “Já o sistema Vargem das Flores apresenta capacidade atual de 28,31%

e o sistema Rio Manso, 45,06%.”

De acordo com a Copasa, “os fartos dados monitorados pela Copasa ao longo dos últimos dois anos mostram os riscos envolvidos na garantia do abastecimento de água para a população, situação oposta às informações divulgadas pelo governo anterior, que davam conta que não haveria risco de desabastecimento na Grande BH”. “Com isso houve o consumo intenso da água dos reservatórios e a redução sensível dos volumes acumulados, que não se recuperaram.”

O relatório da Copasa aponta que a média de produção de água tratada no sistema Paraopeba entre dezembro de 2013 e novembro de 2014 foi de 17.821.857 m?/mês. O volume acumulado nos três reservatórios em 1º de janeiro de 2015 totalizou 92.324.818 m?.

Segundo a empresa controlada pelo governo mineiro, os números mostram que, considerando-se as descargas para vazão residual e a captação para produção que representam um volume extraído mensal da ordem de 25 milhões de m?, a previsão é de que este volume seja suficiente para pouco mais de três meses para abastecimento de água para a população atendida pelo sistema. “Por esta razão serão tomadas medidas emergenciais de restrição da oferta para que possamos atravessar o atual período.”

A Copasa diz que outra situação que necessita de uma atuação urgente é o combate às perdas que, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, são de 40%. “Em 2014, a cada 10 litros de água potável entregues à população, 4 não foram consumidos ou usados de maneira regular – o que inclui desde vazamentos no percurso entre a distribuição e o consumidor até ligações clandestinas (gatos)”, diz.

Entre as medidas anunciadas pela presidente da companhia, Sinara Chenna Meirelles, está a revisão dos procedimentos da operação do sistema integrado, visando minimizar os transtornos causados pela falta d’água em localidades da região metropolitana. “Trata-se de rodízio no abastecimento a ser realizado com programação pré-definida”, afirma a Copasa.

A Copasa diz também que “vai atuar na adoção de outros mecanismos

previstos legalmente, associados ao racionamento de água, inclusive mecanismos tarifários de contingência aprovados pela Arsae (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais), se for o caso”. Está prevista ainda a execução da captação de 5 m?/s no Rio Paraopeba para a Estação de Tratamento de Água do Rio Manso.

A Copasa também vai disponibilizar em seu site informações diárias sobre o nível dos reservatórios de abastecimento na região metropolitana. Destacará, ainda, 40 equipes de campo na região metropolitana com equipamentos na atuação dos vazamentos, “reduzindo o tempo de ação para interrupção do vazamento que hoje, na média, é de nove horas”.

A companhia vai realizar uma campanha educativa com o objetivo de reduzir o consumo de água em 30% na região metropolitana e intensificará a contratação de caminhões pipa e a perfuração de poços artesianos nas regiões mais críticas também no restante do Estado para atendimentos emergenciais. Outra medida é o envio à autoridade gestora de recursos hídricos do estado de solicitação de declaração de situação crítica de escassez de recursos hídricos.