Os 18 milhões de passageiros rumo ao exterior que passaram pelos aeroportos do País em 2011 não se contentaram apenas em visitar a Estátua da Liberdade ou tirar fotos com o Mickey. Eles compraram, e muito.

A ponto de a TAM ter de recalcular a calibragem de suas aeronaves e aumentar a quantidade de combustível por causa do excesso de peso dos voos que voltam de Miami. E de o número de retenções de bagagem “excedente” em Cumbica pela Receita Federal ter crescido 60% em um ano.

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) registrou um aumento de 226 mil toneladas de bagagem transportada ao longo do ano passado.

Além dos bagageiros de avião e esteiras de aeroporto, tanto peso acaba se refletindo na alfândega. Engana-se quem pensa que as malas dos viajantes internacionais voltam cheias de “muambas” – tablets, perfumes, eletrônicos em geral.

A sala de retenção da Receita Federal, para onde vai a bagagem “excedente” apreendida, está repleta de roupas e acessórios. São sacolas e mais sacolas de camisetas de todas as marcas, cores e tamanhos, roupa de criança, vestidos de festa e bolsas femininas.

Uma mudança recente na legislação impulsionou esse cenário. Em outubro de 2010 começaram a valer as novas regras de bagagem, que tornaram câmera, relógio de pulso e celular “itens de uso pessoal”, livres de tributação, desde que o viajante tenha apenas um de cada.

Segundo o chefe da Receita Federal em Cumbica, André Luiz Martins, isso criou uma confusão na cabeça das pessoas. “Acham que tudo é uso pessoal. E, além da cota de US$ 500, ninguém fixou outra parte importante da regra, que é o limite de quantidade”, afirma Martins.

É permitido trazer 20 itens acima de US$ 10 e mais 20 abaixo desse valor – é a “cota dos presentes”. Acima disso, é obrigatório declarar. Mas 90% dos viajantes internacionais ainda não fazem declaração de bagagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.