Brasília – “A Justiça Eleitoral ainda não conseguiu monitorar os instrumentos das pesquisas de opinião pública que são utilizados para distorcer o processo eleitoral”, afirmou o consultor político Gaudêncio Torquato, no programa Diálogo Brasil, apresentado na noite de ontem pela TV Nacional, em rede com a TV Cultural de São Paulo e a TV Educativa do Rio de Janeiro.

O programa é gerado semanalmente para mais 822 pontos de transmissão no país e será reprisado no sábado. Para o consultor, o marketing político tem afastado o eleitor do processo político ao padronizar as campanhas em todo o País, mas, mesmo assim, o eleitor brasileiro sabe distinguir uma promessa mirabolante de uma promessa viável.

A afirmação do consultor recebeu o apoio de várias pessoas que se manifestaram favoráveis à adoção de um maior rigor no controle das pesquisas eleitorais divulgadas pelos institutos nacionais.

Para o professor Marcus Figueiredo, um bom programa eleitoral, que saiba conciliar emoção e razão, pode prender a atenção do eleitorado e definir o resultado de uma eleição.

Legislação

Paulo de Tarso destacou que o Brasil possui uma legislação eleitoral bastante sólida, mas ressalvou que questões como o abuso do poder econômico e o direito de reposta dos candidatos ainda podem ser aperfeiçoados. Em entrevista apresentada na abertura do programa, o também publicitário Nelson Biondi sugeriu que o Tribunal de Contas da União deveria fiscalizar o cumprimento das promessas de campanha feitas pelos candidatos. Para o professor de Ciência Políticas Marcus Figueiredo, que participou do programa nos estúdios do Rio de Janeiro, “nenhum candidato é eleito por suas promessas de campanha, mas por um programa de intenções que pode ou não ser realizado”. Ele acrescentou que o eleitor brasileiro tem plena consciência de que a campanha política é um jogo de intenções e sabe diferenciar o que é proposta de governo do que é simples “bla-blablá”.

Maluf não recebeu autorização

São Paulo (AE) – A família do motorista José Matias da Silva, que morreu no Hospital Voluntários um dia depois de receber a visita do candidato Paulo Maluf (PP), negou ontem que tenha o autorizado a entrar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) – onde Matias estava internado. Os três filhos e a viúva do motorista, Maria do Socorro, estudam a possibilidade de mover eventual ação contra o ex-prefeito ou quem permitiu seu acesso à UTI.

“Não sabíamos de nada, ninguém nos avisou que ele (Maluf) iria aparecer no hospital”, disse Mariana, de 19 anos, filha mais nova do motorista, vítima de suposta tentativa de assalto no dia 11. Ele morreu no dia 16.

Mariana e seu irmão, Ricardo, relataram pela primeira vez o drama vivido pela família desde que Matias, baleado no abdome, foi internado no Hospital Mandaqui e, depois, transferido para o Voluntários. Eles disseram estar chocados com a “estranha” visita de Maluf e com as informações de que o próprio motorista teria solicitado a presença do ex-prefeito.

“Não entendi o objetivo de Maluf, ficamos todos abismados”, protesta Ricardo. Ele suspeita que o candidato tenha encontrado na agonia do motorista um “gancho” para alimentar sua bandeira contra a violência.

Ao cumprimentar Matias na UTI, Maluf teria dito a ele que “a Rota vai para a rua”, promessa que faz toda vez que disputa uma eleição. “Tem muito lugar para fazer campanha, mas não na UTI”, repudia Ricardo. “O jeito é rezar para não ficar doente em época de eleição”.