O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) define esta semana a nova data para a audiência pública que vai discutir os impactos ambientais da instalação de uma usina termelétrica movida a gás natural em Peruíbe, no litoral sul paulista. A Justiça suspendeu a audiência pública que seria realizada no último dia 28. O Ministério Público Estadual pediu o adiamento da última de uma série de três audiências, alegando que o prédio onde seria realizado o encontro não tem alvará do Corpo de Bombeiros. A nova data ainda não foi marcada.

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Ambientalistas mobilizaram parte da população contra o projeto, enquanto outra parte defende a geração de empregos. Houve passeatas e manifestações na cidade contra e a favor do empreendimento. A suspensão da audiência foi determinada pelo juiz Bruno Nascimento Troccoli, da 2ª Vara Cível da Comarca. As audiências públicas fazem parte do processo de licenciamento ambiental do empreendimento.

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No início de agosto, o Grupo de Atuação Especial de Defesa do Meio Ambiente (Gaema) do MPE abriu investigação para apurar se o processo de licenciamento segue os trâmites legais. O Ministério Público Federal (MPF) abriu inquérito para apurar possíveis impactos do empreendimento.

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O projeto Verde Atlântico Energias, da empresa Gastrading, prevê a construção de uma usina termelétrica e um terminal de gás natural liquefeito para gerar eletricidade e fornecer gás natural à região da Baixada Santista. O projeto, com investimento de R$ 5,7 bilhões, terá capacidade de geração de até 1,7 gigawatts de energia e potencial para atender 1,7 milhão de moradores da região.

A tecnologia utilizada pela usina será a de ciclo combinado, que faz o reaproveitamento da queima do gás, gerando energia com índice de eficiência de 62%. “Essa metodologia tem baixíssimo impacto na qualidade do ar porque não gera particulados e não exala cheiro”, informou a empresa.

O complexo terá um terminal marítimo a dez quilômetros da costa para receber o gás que chegará de navio. Um gasoduto levará o gás natural até a praia e, dali, o transporte até a usina será feita por gasoduto enterrado de 3,6 quilômetros. Uma linha de transmissão com 90 quilômetros a ser construída na faixa de domínio da rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55) irá de Peruíbe a Cubatão, onde funcionará um gasoduto de distribuição.

Ambientalistas alegam que o impacto pode afetar as praias e matas do município, estância turística de 65,9 mil habitantes, que abrange parte da Estação Ecológica Jureia-Itatins, unidade de conservação com 84 mil hectares de restingas, manguezais e mata atlântica. “É um projeto de grande risco ambiental, pois a termelétrica gera poluentes atmosféricos por conta do funcionamento de turbinas de gás”, afirma o presidente da Organização Mongue de Proteção ao Sistema Costeiro, Plinio Melo.

A Gastrading informou que o projeto foi encaminhado para análise do Ibama em junho de 2015, mas o licenciamento foi delegado à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A empresa ainda aguarda o parecer da Cetesb para obtenção das licenças.

O estudo de impacto ambiental (Eia-Rima) foi protocolado em 5 de abril deste ano. “A Gastranding reforça que está e sempre esteve à disposição da população de Peruíbe para tirar eventuais dúvidas sobre o projeto. Em relação à decisão judicial, a empresa está dando todo suporte para que os problemas apontados pelo Ministério Público sejam sanados o mais breve possível”, informou em nota.