Brasília
– O Conselho de Ética do Senado decidiu ontem convidar o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) para depor no caso dos grampos telefônicos ilegais na Bahia. ACM é acusado de ser o mentor dos grampos. O Conselho decidiu por unanimidade enviar convite para que ACM seja ouvido em data a ser definida, e de acordo com a conveniência do parlamentar. Os senadores Aloízio Mercadante (PT-SP) e Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), líderes do governo e do PSDB no Senado, respectivamente, afirmaram, no início da tarde, que o depoimento do jornalista Luiz Cláudio Cunha, da Revista IstoÉ, ao Conselho de Ética da Casa, mostra envolvimento do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) com o episódio da escuta ilegal de telefones de dezenas de pessoas na Bahia.As declarações foram feitas depois que os integrantes do Conselho escutaram gravação de declarações feitas por Magalhães em entrevista a Luiz Cláudio Cunha e ao jornalista Weiller Diniz, no dia 30 de janeiro deste ano. De acordo com Cunha, ACM revelou na ocasião: “Eu mandei grampear Geddel”. A frase é uma referência ao deputado Geddel Vieira Lima (PMDB), um dos principais adversários políticos de ACM na Bahia. Para Mercadante e Virgílio, o depoimento de Cunha, mais do que a fita, mostrou envolvimento de ACM no episódio. “A fita não comprova de forma cabal que ACM é o mandante dos grampos na Bahia, mas configura isso, mas o testemunho (de Cunha), sim” disse o líder do governo. Após ouvir a entrevista, Virgílio afirmou: “Parece muito nítida a ligação do senador Magalhães com o grampo”. A sessão de ontem do Conselho de Ética teve início às 10h50. Neste momento, vários senadores estão se manifestando sobre o depoimento dos dois jornalistas. O relator da sindicância no Conselho, senador Geraldo Mesquita (PMDB), anunciou a decisão de convidar Antônio Carlos Magalhães a prestar depoimento, no dia e hora em que o senador baiano o desejar.
Weiller Diniz, em seu depoimento, procurou mostrar vinculação entre o conteúdo da conversa de 30 de janeiro e o teor das denúncias enviadas por ACM a vários ministros do governo Fernando Henrique Cardoso. A senadora Heloísa Helena (PT-AL), que havia anunciado a determinação de apresentar requerimento convocando a advogada Adriana Barreto, ex-amante de ACM, a prestar depoimento, disse que prefere aguardar o depoimento do senador pefelista.


