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Foto: Elton Bomfim/Agência Câmara
Legislatura foi encerrada
com a aprovação do Orçamento 2007.

(Congresso em Foco) – Para fechar com classe um dos piores anos da história do Congresso, os parlamentares queimaram a última semana da legislatura negociando os próprios salários. A discussão não gerou alteração nenhuma nos vencimentos e, de quebra, ainda adiou a análise de propostas consideradas importantes, como o fim do voto secreto na Câmara e no Senado e a extinção dos chamados Cargos de Natureza Especial (CNEs).

A atual legislatura foi concluída na última sexta-feira, com a aprovação do Orçamento Geral da União para 2007, sem ter votado matérias importantes, como as reformas tributária e política e a PEC do Trabalho Escravo. Para que esses temas retornem à pauta no próximo ano, será necessária uma mobilização intensa do novo Congresso.

A votação dessas propostas ficou prejudicada este ano especialmente devido ao período eleitoral, que paralisou o Legislativo federal por quase quatro meses. Nesse intervalo, os parlamentares realizaram esforços concentrados, que foram suficientes somente para aprovar medidas provisórias que se acumulavam na pauta.

Sigilo ruidoso

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Um dos principais itens entre os deixados de lado pelos parlamentares, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 349/01, que institui o voto aberto em todas as deliberações do Congresso, foi votada em primeiro pelos deputados, mas não teve fôlego para sustentar a votação em segundo turno. O fim do voto secreto entrou em pauta depois do festival de absolvições de processados por suspeita de envolvimento com o esquema mensalão. Dos 19 acusados, só três foram condenados. As indulgências, no auge do escândalo, só ocorreram, na avaliação dos parlamentares, devido às votações sigilosas.

Quando a máfia dos sanguessugas veio à tona, quase um terço da Câmara ficou sob suspeita e cresceu a pressão pela aprovação da PEC do Voto Aberto. Durante meses circulou no Congresso o discurso de que a pizza reinaria caso a mudança não ocorresse. A euforia levou os deputados a votarem a matéria, em primeiro turno, no dia 5 de setembro. Desde então, ela jaz esquecida em alguma prateleira.

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?Queriam dobrar nossa remuneração e deixaram o voto aberto pela metade. Perdemos três horas discutindo salário, falando do próprio umbigo, e deixamos a última semana da legislatura passar sem votar nenhuma proposta importante?, avaliou o líder do Psol na Câmara, Chico Alencar (RJ), um dos combatentes do voto secreto.

Também por pouco não foi votado o Projeto de Resolução (PRC) 321/06, que reduz de 2.635 para 1.282 o número de CNEs na Câmara. A análise, no entanto, esbarrou justamente na desistência dos parlamentares de reajustar seus próprios vencimentos. O corte dos 1.353 cargos comissionados seria uma contrapartida da Casa para compensar o aumento de 91% pretendido pelos deputados. Com o naufrágio do incremento, caiu por terra também o enxugamento na máquina legislativa.

Outra proposta que passou longe da intenção dos deputados nesse fim de legislatura foi a PEC 285/04, mais conhecida como a minirreforma tributária. A matéria foi bastante comentada no início deste ano e vários governadores apostaram na aprovação da matéria pelo menos em primeiro turno. Na época, porém, com a pauta da Câmara abarrotada de medidas provisórias, o assuntou ficou esquecido e assim permanecerá pelos próximos meses, ao menos.

A PEC 438/01, do trabalho escravo, também ficará para o próximo ano, se houver pressão para a análise em plenário. A matéria, de 2001, foi aprovada em primeiro turno na Câmara em agosto de 2004. Desde então, o tema foi jogado às traças por pressão dos coordenadores da bancada ruralista. A proposta prevê a desapropriação de terras em que seja identificado trabalho escravo.

Reforma política está entre os temas pendentes

Na carona das reformas que não aconteceram está o Projeto de Lei (PL) 2679/03, da reforma política. A série de escândalos que abalou o Congresso na segunda metade da legislatura fez o tema voltar ao debate nacional. Porém, sem acordo para analisar as mudanças e com a proximidade das eleições de outubro, os parlamentares tiveram fôlego para aprovar somente uma minirreforma.

As mudanças dessa minirreforma, como a proibição da distribuição de brindes e da realização de showmícios, deveriam reduzir os gastos de campanha dos candidatos em 2006. Porém, o que se viu foi um festival de declarações com valores estratosféricos, muito acima das despesas informadas quatro anos atrás. As campanhas eleitorais para presidente da República, governador, senador e deputados federais e estaduais gastaram pelo menos 49,4% a mais na eleição deste ano se comparadas às de 2002, já descontada a inflação do período.

A reforma política está pronta para ser votada pelo Plenário da Câmara. Alguns parlamentares defendem que esse deve ser o grande assunto da próxima legislatura, para apagar a péssima imagem deixada pelo atual Congresso.

Além de não votar projetos importantes, o Plenário da Câmara fechou o ano sem julgar sequer um dos 67 parlamentares acusados de negociar emendas ao orçamento para a compra de ambulâncias superfaturadas. Mas, desta vez, ao contrário do que ocorreu no esquema do mensalão, o Conselho de Ética adiantou o rodízio de pizza e absolveu a maioria dos envolvidos. Desses, somente cinco correm o risco de enfrentar o processo na próxima legislatura. Os outros não conseguiram se reeleger e terão o caso encerrado. Porém, 18 deles ainda respondem a inquérito na Justiça.