Saúde

Como os mexilhões podem contaminar humanos com microplásticos?

Mexilhões pesquisados têm microplásticos. Foto: Deposit Photos

Estudo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro revelou que mexilhões consumidos na alimentação humana ingerem microplásticos ao filtrar a água do mar. Os moluscos não conseguem distinguir entre microalgas, seu alimento natural, e fragmentos de plástico, acumulando contaminantes químicos que podem ser transmitidos às pessoas. As informações são da Agência Brasil.

Por que os mexilhões consomem microplásticos?

Os mexilhões se alimentam filtrando a água e não têm capacidade de diferenciar partículas naturais de fragmentos de plástico. Em experimento realizado na Praia Vermelha no Rio de Janeiro, os animais consumiram microalgas e microplásticos de forma indiscriminada, deixando sobras semelhantes de ambos os materiais, cerca de 48% e 52% respectivamente.

O que são os microplásticos encontrados no mar?

São fragmentos minúsculos de plástico que se desprendem de garrafas, embalagens, pneus, tecidos e tintas. Sob efeito do tempo e do sol, o plástico se quebra em micropartículas que ficam na água, no solo e no ar. Esses fragmentos carregam contaminantes químicos de superfície que representam riscos à saúde.

Cozinhar os mexilhões elimina o risco de contaminação?

Não. Diferentemente de microrganismos e parasitas que morrem com o calor, o cozimento não reduz os níveis de microplásticos, metais e contaminantes químicos presentes nos mexilhões. A única forma de reduzir a exposição é diminuir a frequência de consumo desses alimentos.

Qual o risco para quem consome mexilhões regularmente?

O grau de contaminação depende da frequência de consumo. Quem come esporadicamente tem menos exposição aos contaminantes. Já o consumo frequente aumenta o risco, pois os mexilhões são organismos filtradores que acumulam substâncias químicas presentes nos microplásticos ao longo do tempo.

Quais soluções podem reduzir esse problema?

Os pesquisadores defendem políticas públicas para reduzir o despejo de resíduos no mar e restringir plásticos descartáveis. Também recomendam monitoramento científico constante das áreas de cultivo de organismos marinhos para garantir a segurança do consumo de frutos do mar no futuro.

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