Após 30 meses de pesquisa, a Embrapa desenvolveu em Brasília protótipos de alimentos vegetais que imitam filé de salmão, caviar e anéis de lula. Os produtos foram criados em impressoras 3D com tintas alimentícias e têm gosto e valor nutricional semelhantes aos alimentos originais de origem animal. As informações são da Agência Brasil
O que são as tintas alimentícias usadas na impressão?
São misturas feitas com proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais e de algas, nanoingredientes, corantes naturais e espessantes. Segundo os pesquisadores, a maioria dos ingredientes são os mesmos que usamos na cozinha de casa. Essas tintas são processadas em impressoras 3D para criar os alimentos com formato e textura similares aos originais.
Como os cientistas garantem o valor nutricional dos alimentos?
Os pesquisadores analisaram a composição nutricional da carne animal, focando em carboidratos, lipídeos e proteínas. Em seguida, buscaram nos recursos vegetais ingredientes que oferecessem a mesma quantidade percentual desses nutrientes. Parte dos insumos veio dos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, que guardam material genético de milhares de plantas e microorganismos.
Quais são as possíveis aplicações dessa tecnologia?
A impressão de alimentos pode ajudar no combate à fome e subnutrição, permitindo enriquecimento nutricional dos produtos. Também pode evitar pesca predatória e sofrimento animal no abate. Além disso, atende pessoas com restrições alimentares, como vegetarianos e veganos, oferecendo alternativas que imitam carne e frutos do mar.
Quando esses alimentos estarão disponíveis no mercado?
Os protótipos já foram testados por pessoas com autorização de comissão de ética. Segundo os pesquisadores, o experimento está na vitrine da Embrapa, mas ainda não há data para lançamento comercial. A exploração comercial depende da definição do modelo de negócios, que pode incluir impressoras domésticas, uso em restaurantes ou produção industrial.
Onde mais essa tecnologia já é utilizada?
Alimentos impressos já são comercializados na Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura. No Brasil, além da Embrapa, pesquisadores da Unesp desenvolvem experimentos em parceria com a Escola de Medicina da Universidade Harvard e com a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura. A pesquisa da Embrapa foi financiada pelo Good Food Institute.
