Quatro anos depois de invadirem a reitoria da Universidade de Brasília para expulsar o então reitor e passadas

outras duas invasões desde então, alunos da universidade ocupam a reitoria deste a última terça-feira.

Colchões pelo chão, marmitas em mesas de reunião e muitos cartazes de protesto compõem a nova paisagem da reitoria. Os alunos garantem que nada foi quebrado e que a invasão foi pacífica.

“Nem porta quebramos dessa vez”, explica Lucas Brito, 21, estudante do 8º semestre de serviço social, da comissão de comunicação do movimento. “O caixão agora a gente não trouxe”, brinca o estudante, se referindo, em ambas as citações, à invasão de 2008, quando os alunos danificaram uma porta no momento da invasão e usaram um caixão como símbolo do movimento.

Dessa vez, o principal ponto de reivindicação é acabar com a contrapartida imposta pela UnB para pagar a bolsa de R$ 465 mensais, dada a alunos de baixa renda. Segundo os estudantes, para dar a bolsa, a universidade exige que eles trabalhem 12 horas semanais na própria instituição ou se envolvam em atividades acadêmicas (como pesquisas e extensão).

“Entendemos que a assistência é um direito. E essa é uma bolsa de trabalho precarizada. Que trabalhador ganha R$ 465 ao final do mês?”, indaga Brito.

O salário mínimo nacional, hoje em R$ 622, é pago a pessoas que trabalham até 44 horas semanais.

Outros pontos da pauta são: 1) Pagamento da bolsa de R$ 465 a mais 50 estudantes (180 foram classificados para receber a bolsa, mas só 130 recebem); 2) Garantia de auxílio-moradia para quatro estudantes que já tiveram o pedido deferido; 3) Ajustar com o governo do Distrito Federal as novas datas do calendário universitário para que continuem recebendo o passe estudantil; 4) Estabelecimento de um prazo para o pagamento de R$ 91 aos estudantes de baixa renda que ficaram sem acesso ao restaurante universitário por duas semanas.

Essa é a quarta invasão da reitoria da universidade desde 2008, segundo os alunos. Brito afirma que as reivindicações de agora são semelhantes às de 2009, ano em que não foram atendidos.

“Em dois dias de ocupação, caminhamos muito mais do que desde 2009. A ocupação ainda é o melhor método”. De acordo com Brito, entre 50 e 100 estudantes se revezam na reitoria.

Na tarde de hoje, os alunos terão uma reunião com representantes da reitoria para discutir o que já foi proposto pela universidade.

Ao que tudo indica, porém, a invasão não deve ter fim nesta quinta. Para amanhã, já estão programados um debate sobre o PNE (Plano Nacional de Educação) e um sobre opressões, com foco em homofobia e machismo na ocupação.