A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai adotar a versão modificada do documento da 5ª Conferência-Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, realizada em maio em Aparecida. Apesar de a versão final, entregue ao papa em junho, apresentar 200 alterações do original votado pelos bispos presentes à reunião, o que vale, afirma a CNBB, é o texto assinado por Bento XVI. ?A questão pode trazer amargura para alguns setores. Mas o papa tem a palavra final?, sentenciou o presidente da entidade, d. Geraldo Lyrio Rocha.

Com a decisão, a CNBB tenta pôr fim à polêmica criada desde a divulgação da adulteração do texto. Na semana passada, as comissões pastorais sociais da CNBB protestaram contra a edição não autorizada do documento e pediram o restabelecimento do texto votado pelos bispos latino-americanos. D. Geraldo considerou exagerada a reação negativa às alterações. ?As mudanças são muito mais na forma do texto do que em seu conteúdo?, ponderou.

Para ele, são poucas as alterações que modificam o teor. Entre elas, citou, estão trechos sobre as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), alvo principal das edições. ?Isso não tira o brilho nem o vigor do documento?, afirmou. Ele observou ainda que tais comissões, ligadas à Teologia da Libertação, não perderam a importância. ?Haverá um encontro continental das CEBs, deixando claro que elas têm importância, sim.? D. Geraldo não quis opinar sobre qual das duas versões prefere.

O documento original havia obtido aprovação quase unânime em Aparecida, com 127 votos a favor, 1 contra e 2 abstenções. Onze dias depois, foi entregue ao papa, já com as mais de 200 mudanças feitas pelo cardeal chileno Francisco Javier Errázuriz Ossa e pelo bispo argentino Andrés Stanovnik, respectivamente presidente e secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), conforme o Estado informou na semana passada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.