Brasília – Parlamentares do Nordeste pediram ontem ao ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, que ele sirva de ponte entre o Congresso Nacional e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em questões que preocupam os pequenos agricultores. O ministro participou de audiência pública na Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara dos Deputados.

O primeiro recado dos parlamentares foi relacionado à renegociação das dívidas. A lei que prevê a renegociação foi aprovada no Congresso Nacional em julho de 2003, mas, segundo o deputado Heleno Silva (PL-SE), “ela ainda não pegou”. “Perto do recesso parlamentar do ano passado, melhoramos a lei, de acordo com orientação dos bancos. Já foram publicadas quatro resoluções. Mas a verdade é que os produtores não conseguem renegociar suas dívidas”, afirmou o deputado durante a audiência.

Irritado, o ministro demonstrou não ter gostado da função de pombo correio. “Eu sou ministro de Estado. Se sua excelência quer mandar algum recado mande pelo vice-presidente da República. O vice tem maior facilidade e creio que ele não terá problema em transmitir o recado”, respondeu o ministro, referindo-se ao fato de Heleno Silva ser filiado ao PL, partido do vice-presidente José Alencar.

Apoiado pelo deputado Júlio Cesar (PFL-PI), o parlamentar reclamou também dos anúncios feitos pelo governo de liberação de recursos para a agricultura familiar. “Não adianta anunciar R$ 5,4 bilhões ou R$ 7 bilhões para os pequenos agricultores se o dinhe iro não chega no campo”, relatou o deputado Heleno Silva, referindo-se aos recursos liberados na safra 2003/04 e a previsão para o próximo safra, que deve ser anunciada no dia 17 pelo presidente Lula.

A audiência foi convocada para discutir as conseqüências da seca que atinge as regiões Sul e Centro-Oeste e o excesso de chuvas nas regiões Nordeste, Sudeste e Norte do País. Júlio Cesar aproveitou para criticar o presidente Lula. “O presidente Lula, em seu primeiro ano de governo, fez o maior financiamento para a Embraer, quase R$ 6 bilhões”, afirmou ele mostrando que há desequilíbrio no empréstimo feito à Embraer e o orçamento total do Banco do Nordeste, de cerca de R$ 3 bilhões por ano.