Brasília – O ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, acusou ontem o governador de Sergipe, João Alves (PFL), de leviandade por aterrorizar a população do seu Estado com a transposição das águas do Rio São Francisco. Em mais de quatro horas de audiência na Comissão da Amazônia da Câmara, Ciro bateu boca com o deputado João Fontes (PDT-SE), a quem também chamou de ?leviano?, e disse que a maior dificuldade do Nordeste não é a falta de água e sim alguns dos políticos, que ?não têm vergonha na cara, não têm dignidade?.
?Não dá para aceitar a argumentação cabotina de primeiro revitalizar o Rio São Francisco e depois fazer transposição porque a água está faltando hoje?, disse. O ministro da Integração Nacional ficou irritado com Fontes, que o provocou ao lembrar que o Canal do Trabalhador – obra feita por Ciro quando governava o Ceará – não resolveu a questão de privação de água no Estado. ?Vossa Excelência é muito leviano?, disse o ministro da Integração. ?Vossa Excelência é que é leviano?, rebateu o deputado do PDT de Sergipe. ?Vossa Excelência não tem o direito de fazer insinuações morais contra minha pessoa sem ouvir a resposta. Deve-me respeito e cortesia?, argumentou Ciro.
O ministro rebateu as críticas de que o projeto beneficiará as empreiteiras encarregadas da obra. ?Não posso aceitar a afirmação de que esse projeto tem o objetivo de encher o bolso das empreiteiras. Repilo isso?, afirmou. A maior parte da audiência foi usada por Ciro para criticar Alves. ?Não aceitaremos a leviandade da declaração do governador João Alves, que agravou o temor no coração da gente sofrida de Sergipe. Tudo o que desejo é fazer um debate crítico em Sergipe sobre charlatanismo e sinceridade?, afirmou. Para o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda (PT), que assistiu a parte do depoimento do ministro, a prioridade do governo deveria ser na revitalização do Rio São Francisco. ?É preciso que se abra uma discussão do projeto de forma menos desapaixonada. Não é uma transposição a todo custo. É importante o presidente Lula definir prioridades, mas é importante também que o Lula saiba que, dentro do PT, há dúvida sobre o projeto?, observou. Déda ressaltou que Alves usa a proposta do deslocamento das águas do São Francisco para fazer uma ?guerra política?.


