Sorocaba, SP (AE) – A preservação do aqüífero Guarani, um mar subterrâneo de água doce que se estende do centro-oeste brasileiro à Argentina, será o tema de um encontro que reúne cientistas, pesquisadores e empresários do setor mineral, a partir de hoje até amanhã em Botucatu (SP). Serão discutidas formas de utilização e preservação do manancial, considerado estratégico para o abastecimento futuro das populações, inclusive da capital paulista.

Trata-se do maior reservatório de água doce subterrânea transfronteiriço do mundo, já que atinge também o Paraguai e o Uruguai. Os quatro países estão trabalhando num plano de ação conjunta – o Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Aqüífero Guarani – visando à proteção do manancial. O aqüífero pode ser comparado a uma imensa esponja subterrânea de arenito que retém a água da chuva e se formou há cerca de 150 milhões de anos. Sua espessura, que em alguns pontos chega a 800 metros, pode acumular 45 mil km3 de água.

O manancial está presente no subsolo de oito estados brasileiros – de Goiás ao Rio Grande do Sul. Em São Paulo, a água é utilizada para abastecimento, sobretudo na região de Ribeirão Preto. São cerca de mil poços já perfurados, com profundidades de até 1.500 metros e vazões superiores a 700 m3 por hora. De acordo com os pesquisadores, se não operados corretamente, ou se forem abandonados, os poços podem ser veículos de contaminação do aqüífero, cujas águas são de boa qualidade para abastecimento público.

Há ainda o risco de rebaixamento do lençol freático e impacto nos corpos d?água superficiais se houver retirada de água acima da capacidade de recarga do aqüífero.