O cidadão russo Denis Alexandrovich Saltanov, de 42 anos, está preso desde o dia 19 de abril em uma cela individual na 12ª Companhia de Polícia do Exército em Manaus (AM). Por volta das 10h20 daquele dia, ele foi preso em flagrante por sentinelas acusado de ingressar clandestinamente no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) do Exército, na capital amazonense. Em 10 de maio, o Ministério Público denunciou o estrangeiro pelo crime de “penetrar em estabelecimento militar por onde seja defeso ou não haja passagem regular”, previsto no artigo 302 do Código Penal Militar. Se condenado, ele pode pegar de seis meses e dois anos de detenção. Na semana passada, o Superior Tribunal Militar (STM) negou liminarmente pedido de habeas corpus para Saltanov. A Defensoria Pública da União pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). A Embaixada da Rússia já foi comunicada oficialmente.

Em depoimento no procedimento aberto pelo Exército para apurar o caso, uma tenente disse que, ao perguntar ao russo o motivo que o levou a saltar para dentro do quartel, ele respondeu que pulou o muro “para testar o treinamento dos soldados”, com visível “ar de deboche, sorrindo e gracejando”.

Um major afirmou que, ao perguntar se a atitude de pular muros de instalações militares seria comum em seu país de origem, o russo disse que não. Ainda segundo o major, Saltanov disse que sabia que o que ele havia feito era contra a lei.

Ao ser interrogado, em inglês, com a ajuda de um intérprete, Saltanov disse que pretendia visitar o zoológico (que fica dentro do GICS), mas que pretendia usar a entrada principal. Ele não disse por que decidiu pular o muro. Ao final, pediu para ver a identificação do escrivão que lavrou o auto de prisão em flagrante.

O defensor público da União Thomas Luchsinger disse que Saltanov nega que tenha dito que queria testar o treinamento dos soldados. “O zoológico é um dos pontos turísticos mais conhecidos de Manaus. Ele estava com um mapa que não dizia que ali era uma instalação militar. Além disso, as placas de perigo são em português, e ele mal fala inglês. Do local onde pulou o muro, ele não conseguia ver nenhum sentinela. Só quis cortar caminho pela mata”.

Conhecendo a América do Sul

Saltanov está viajando pela América do Sul desde 5 de fevereiro. De acordo com bilhetes apreendidos com o russo, ele deu entrada no Brasil em 24 de abril por Tabatinga (AM), na fronteira com a Colômbia. Depois, seguiu de barco até Manaus. Em seu perfil no Facebook, há fotos tiradas no Brasil, na Argentina, no Chile, na Colômbia e no Peru.

Nascido em Moscou, Saltanov também tem cidadania equatoriana porque foi casado com uma mulher daquele país. Ele estava com passaportes da Rússia e do Equador. O russo é jornalista e fotógrafo registrado na Associação Mundial de Imprensa.

A Embaixada da Rússia informou que Saltanov não responde por nenhum crime em seu país, e que está prestando apoio consular e diplomático ao cidadão russo em conformidade com as normas russa e internacional.