O lavrador Abel Passoni, de 72 anos, morador de Divinolândia (SP), foi acordado na madrugada desta terça-feira com uma notícia trágica. Seu filho, o agricultor Izael Passoni, de 42 anos, sua mulher Cleide Mara, de 39, e os filhos Werriston, de 21, e Laine Kellen, de 17, morreram nas enchentes de Sardenha.

A família se preparava para voltar ao Brasil no início do ano que vem. Abel conversava regularmente com o filho. A última vez foi no domingo, quando Izael contou que eles se sentiam muito sozinhos na Itália.

Quando o temporal começou, os quatro estariam dormindo no apartamento de subsolo, onde moravam, na cidade de Arzachena. O pai diz ter sido informado que eles não teriam percebido a chuva e nem teriam sido informados sobre o ciclone porque o celular não tem sinal naquele ponto da ilha. A enchente teria obstruído a única saída do apartamento.

Quem informou a família sobre as mortes foi o pastor de uma igreja em Milão. A mulher do lavrador passou mal e teve de ser medicada. O casal é evangélico e conta com o apoio do consulado agora para tentar liberar os corpos o quanto antes para fazer os enterros no interior paulista e em Poços de Caldas em Minas, cidade de origem de Cleide Mara. O Itamaraty entrou em contato com as famílias das vítima para definir a necessidade de ajuda com o desembaraço de corpos e a necessidade de traslado, mas ainda não houve nenhum pedido oficial de ajuda.

O agricultor havia se mudado para a Itália há cerca de oito anos após abandonar as plantações de batata e cebola na região de Divinolândia. Na Itália, Izael conseguiu um trabalho como jardineiro. A família vivia regularmente na ilha e fora empregada para cuidar do prédio onde moravam no porão, na localidade de Moinho Velho.

Os brasileiros viviam no local há pouco mais de um ano, depois de morar por algum tempo em Sassarese, outro município da ilha, e terem passado por Milão e pela Espanha.