Foto: Felipe Araújo/Agência Estado

O caseiro Francenildo foi recebido por Miguel Reale Júnior, ex-ministro da Justiça, em São Paulo.

O caseiro está cansado. Essa foi a impressão que Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, deixou onteme em São Paulo, após uma maratona de homenagens, durante a qual ganhou elogios arrebatados. Chamaram-no de grande herói, exemplo de brasileiro, homem singelo, homem corajoso, cabra da peste. "Estamos apaixonados por você", disse num arroubo a deputada tucana Zulaiê Cobra.

Assustado e escondendo-se atrás de seu inseparável advogado, o homem que contestou o todo poderoso ministro da Fazenda e provocou sua demissão, dizia: "Não fui criado para isso. Quero a liberdade".

Quando desembarcou no aeroporto de Congonhas, às 9h10, um grupo de advogados e parlamentares já o esperava no saguão. Nildo não os viu e passou reto, rumo a um canto do salão de desembarque, o que causou alvoroço no grupo, temeroso de que caseiro tivesse saído por outra porta. Segundos depois, tudo se esclareceu: o caseiro tinha feito apenas um pit stop no banheiro

"Esse menino virou um pop star", brincou o veterano deputado Rafael Guerra, também tucano e integrante do Movimento Pró-Congresso, uma das organizações que promoveram a homenagem a Nildo. Do aeroporto, o caseiro seguiu num reluzente Passat para um dos endereços mais respeitados da advocacia no País – o escritório do jurista Miguel Reale Júnior, diretor do Movimento da Indignação à Ação, que coordenou a manifestação de hoje.

Ainda não eram 11 horas quando Nildo chegou à sede da OAB, na Praça da Sé. O corpo dele titubeou por um segundo, ao avistar a muralha de câmeras de TV, máquinas fotográficas e gravadores que se erguia em camadas diante ele. Foi abraçado ainda na calçada pelo presidente OAB, Luiz Flávio D?Urso; assustou-se quando um cidadão da voz tonitroante avançou para cima dele e reclamou do presidente Lula; e foi paciente com uma senhora de cabelos branquíssimos que lhe disse que se sentia justiçada por ele.

Na OAB, Nildo ouviu discursos durante uma hora. Quando finalmente lhe deram a palavra, falou quatro minutos. Agradeceu a Deus e à mãe e aos advogados. Não se jactou do que fez, resumindo assim o seu ato: "Chutei o balde, só isso". Terminou pedindo desculpas pela falta de oratória: "Não tenho vocação".

Foi aplaudido de pé. Minutos depois, foi prensado pelos jornalistas, fato que o incomodou e o levou a anunciar que não daria mais declarações. Mas a maratona paulistana ainda não estava terminada. Foi levado para um almoço na sede da associação dos procuradores de Justiça do Estado, onde teve que posar ao lado de alguns deles para fotografias. Depois ainda encontrou-se com o procurador-geral, Rodrigo Pinho, que também elogiou sua coragem.

Chegou ao aeroporto uma hora antes do horário previsto, mas quis ir logo para a seção de embarque, fugindo da imprensa. Foi embora lastimando não ter tido liberdade para andar, nem para visitar o Parque Antártica, sede do Palmeiras, time do seu coração.