Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

Darci Vedoin (em pé) confirmou encontro com Magno Malta.

Em depoimento ontem ao Conselho de Ética do Senado, os empresários José Darci Vedoin e Luiz Antonio Trevisan Vedoin, donos da Planam, principal empresa da máfia das ambulâncias, reafirmaram as acusações de envolvimento dos senadores Ney Suassuna (PMDB-PB), Magno Malta (PL-ES) e Serys Slhessarenko (PT-MT) com o esquema dos sanguessugas. Na sessão secreta, que durou mais de cinco horas, mas sem apresentar documentos novos, Darci revelou, pela primeira vez, que se encontrou com Magno Malta, na época em que ele era deputado, em um almoço no restaurante da Câmara junto com o deputado Lino Rossi (PP-MT), apontado como um dos articuladores do esquema no Congresso.

Enquanto os integrantes do Conselho de Ética foram cautelosos em relação aos depoimentos, o presidente da CPMI dos Sanguessugas, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), foi bastante enfático. O petista, que participou de parte do depoimento da família Vedoin, garantiu que a situação do senador Suassuna ficou ainda mais complicada. ?O depoimento foi muito firme no sentido do envolvimento do senador Ney Suassuna. Seria a pá de cal nos argumentos defensivos?, afirmou Biscaia. ?Da minha parte não persistem dúvidas em relação ao envolvimento dos três senadores. Mas a maioria das intervenções que vi no Conselho de Ética é em defesa dos acusados?, disse o presidente da CPMI, sugerindo a existência de um movimento no conselho pela absolvição dos acusados.

Segundo Biscaia, tanto Darci quanto Luiz Antonio foram incisivos ao garantir que o senador do PMDB sabia do esquema por meio de Marcelo Carvalho, assessor do senador. Foram encontrados R$ 222 mil nas contas bancárias do assessor, que seriam pagamento de propina. ?Tenho de ouvir todas as testemunhas antes. Só aí estarei apto a julgá-lo?, disse o senador Jefferson Peres (PDT-AM), relator do caso de Suassuna no Conselho de Ética. Peres marcou para a semana que vem ouvir o depoimento do senador e promete apresentar seu parecer na semana seguinte. ?Para ter provas contra o Suassuna é preciso que o assessor Marcelo diga que pegou o dinheiro do esquema e entregou na mão do senador?, argumentou Wellington Salgado.

Quanto a Magno, o senador do PL que usou por mais de um ano um carro da Planam, garantiu que não conhece nem se encontrou nunca com integrantes da família Vedoin. ?O Darci disse que se encontrou com o deputado Magno Malta, que na época ele não era nem candidato ao Senado. Ele também afirmou que não tratou de emendas ao Orçamento com o parlamentar. Foi só um almoço?, contou o senador Demóstenes Torres (PFL-GO), que é relator do caso de Malta no Conselho de Ética. A acusação é que Malta teria recebido um carro da Planam em troca de apresentação de emendas ao Orçamento para compra superfaturada de ambulâncias. Mas o carro nunca esteve em seu nome e o senador também não apresentou nenhuma emenda.

Malta admitiu ter usado o carro, que pegou emprestado com Lino Rossi, e em sua defesa anexou um recibo de devolução do veículo ao deputado em 2 de setembro de 2005. ?Esse recibo para mim não tem validade alguma?, observou Demóstenes. ?Acho que o senador Magno Malta não devia nem estar com seu nome no conselho. Não tem nada contra ele. O máximo que deveria acontecer é ele receber uma censura por usar o carro da Planam. Não é caso de pedido de cassação?, retrucou o senador Wellington Salgado (PMDB-MG). Durante as cinco horas de depoimento, Salgado defendeu os acusados, especialmente seu correligionário Ney Suassuna.

O momento mais tenso do depoimento foi durante a acareação entre Darci e Luiz Antonio Vedoin. Os integrantes do conselho tentaram esclarecer contradições sobre o pagamento de um cheque no valor de R$ 37,2 mil a Paulo Roberto Ribeiro, genro da senadora Serys. Darci contou que o cheque foi pago por seu genro Ivo Spínola. Luiz Antonio disse, no entanto, que não houve pagamento em cheque ao genro de Serys e sim apenas em dinheiro vivo (R$ 35 mil). ?O genro da senadora confirma que recebeu o dinheiro pela venda de equipamentos hospitalares para a Planam?, observou o senador Paulo Octávio (PFL-DF), que é relator do caso da senadora Serys no Conselho de Ética.