Pesquisas de satisfação realizadas pela Prefeitura de São Paulo nas unidades do Centro Aberto mostram que as dos Largos São Francisco e São Bento têm as maiores taxas de aprovação (96%) enquanto a do Largo do Paiçandu, a menor (71%).

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O jornal O Estado de S. Paulo visitou há dez dias os cinco espaços do projeto Centro Aberto. Dentre eles, o mais movimentado era o do Largo São Bento, próximo da Rua 25 de Março, de prédios de escritórios e comerciais e de atrações turísticas, como o Farol Santander e o Mosteiro de São Bento.

Por lá, dos cerca de 30 frequentadores, 17 se dividiam em dois grupos no entorno de tabuleiros de xadrez gigantes, emprestados pelo projeto. Enquanto as duplas jogavam, os demais sentavam em volta para conversar, fazer comentários e “zoar”, como explicou o barman Carlos Bauer, de 41 anos. “É lúdico.”

Morador da zona leste, Bauer pega ônibus e metrô quase todos os dias para encontrar os amigos que conheceu no espaço nos últimos quatro anos. Ele ajuda a organizar um torneio de xadrez por ali, que já teve seis edições, com 36 participantes, entre adultos e crianças, na última vez. Nas competições, os tabuleiros utilizados são de tamanho normal, com direito a árbitro, cronometragem e troféu.

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“Quase todo mundo eu conheci aqui. Alguns trouxe para cá. Tem sírio, boliviano, peruano, chileno, paulista, goiano, amigo que mora em Goiás, mas vem aqui quando está em São Paulo. É uma miscelânea de pessoas”, apontou. “Conheci todos os Centros Abertos, mas foi aqui que vingou.”

No espaço do Largo São Bento, a reportagem encontrou a administradora Lilith Silva, que não revela a idade “desde o milênio passado” e estava na região para fazer compras. “Aqui dá para relaxar antes de ir embora”, disse. Além de Lilith, também estavam no Centro Aberto trabalhadores da região e pessoas em situação de rua.

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Problemas

Os espaços com mais problemas sociais, como apontam os relatórios da Prefeitura que citam vandalismo e furtos, ficam nos Largos Paiçandu e General Osório – o último, a três quadras da Cracolândia.

O biólogo Fabio Olmos, de 53 anos, critica a unidade do Paiçandu. Morador da região há mais de 20 anos, ele reclama que o deque e a mesa de ping pong ficam sobre o gramado do largo. “Só colaborou para degradar mais a região.”

Para Olmos, a unidade do Paiçandu foi criada de “maneira equivocada” e deveria ser deslocada para o outro lado do largo, perto das Galerias do Rock ou Olido, para receber mais atividades culturais e ficar mais visível. Ele se queixa também da concentração de pessoas em situação de rua no deque e falta de segurança à noite. “Tem de ter um aparato de segurança.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.