O governador de Rondônia, Ivo
Cassol (dir), entrega fitas com
denúncias a Luiz Paulo Barreto.

Brasília – O governador de Rondônia, Ivo Cassol, disse ontem que espera a cassação dos deputados estaduais que aparecem em fitas gravadas por ele supostamente pedindo propina em troca de apoio político na Assembléia Legislativa. ?Espero que a população de Rondônia possa colher esses frutos, com a cassação desses parlamentares, esses péssimos políticos, e dar oportunidade para pessoas novas que querem fazer o bem para o nosso povo?, afirmou o governador, que defendeu a permanência de parentes em cargos de confiança.

Ivo Cassol entregou ontem cópias das fitas para o ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e para o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles. O governador disse esperar que o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual e a polícia levantem todos os dados e apurem as irregularidades existentes no Estado.

Cinqüenta mil reais por mês de propina para cada deputado em troca de apoio político na Assembléia Legislativa foi a exigência que um grupo de parlamentares fez ao governador. Ao longo de vários meses, entre o fim de 2003 e o primeiro semestre de 2004, Ivo Cassol usou uma câmera escondida em sua casa para gravar as conversas com os deputados.

Ao todo, 12 dos 24 deputados da Assembléia aparecem ou têm o nome citados. São eles: Ellen Ruth (PP), Ronilton Capixaba (PL), Daniel Neri (PMDB), Emílio Paulista (PPS), Kaká Mendonça (PTB), Edison Gazoni (PDT), Chico Paraíba (PMDB), Chico Doido (PSB), Leudo Buriti (PTB), Marcos Donadon (PTB), Amarildo de Almeida (PDT) e João da Muleta (PMDB).

O governador comentou a existência de uma ação que tem o objetivo de decretar o seu impeachment e disse que não há relação entre a divulgação das fitas e a abertura do processo. Segundo ele, essa ação ?é uma farsa?: ?Eles pegaram um laranja, que é assessor do deputado, e colocaram lá como se eu não tivesse cumprido o orçamento. Eu cumpri o orçamento na íntegra. Se tem alguém que não cumpriu o orçamento foi a Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia?, rebateu. Além do processo de impeachment que enfrenta na Assembléia Legislativa, Cassol foi denunciado pelo Ministério Público Federal de Rondônia ao Superior Tribunal de Justiça por formação de quadrilha e fraude em licitação. O governador está sendo investigado por supostamente favorecer empresas em concorrências públicas em Rolim de Moura (RO), quando foi prefeito, entre 1998 e 2002. Cassol defendeu a permanência de parentes em cargos do governo desde que eles trabalhem. Ele afirmou que menos de 1% de seus familiares ocupam cargos de confiança. ?São pessoas que ocupam cargos de confiança não porque são irmãos ou parentes, mas porque são pessoas competentes, que têm correspondido à altura?, disse.