São Paulo – O PT reagiu ontem às suspeitas que pesam sobre um dos quadros do partido – o deputado estadual Donisete Braga, investigado por suposto envolvimento na morte do prefeito de Santo André, no Grande ABC (SP), Celso Daniel – pressionando o Ministério Público (MP) por meio de acusações aos promotores de Justiça que conduzem apuração sobre esquema de corrupção na prefeitura. “Os promotores agiram com malandragem”, declarou o deputado Cândido Vaccarezza, líder do partido na Assembléia Legislativo, após audiência com o procurador-geral de Justiça, Rodrigo César Rebello Pinho. “Queremos que o MP pare de levantar indícios e comprove as denúncias que faz”, disse o deputado Professor Luizinho (SP), líder do governo na Câmara. “Os promotores agem com imparcialidade”, retrucou Pinho.

“Se o MP quer ser respeitado e protegido no seu trabalho, não pode permitir que seus membros ajam com motivação política em períodos eleitorais”, argumentou Professor Luizinho. “Não podem quebrar sigilo pela imprensa, que façam investigações, mas que mostrem as provas.” Ele mandou recado incisivo – que para promotores soou como ameaça – à instituição ao destacar que o Supremo Tribunal Federal (STF) “vai decidir” sobre os limites de atuação do MP na área criminal.

Braga tornou-se alvo de inquérito depois que os promotores tiveram acesso às chamadas do celular dele – o rastreamento indica que antenas da Vivo em Embu e Taboão da Serra, na Grande São Paulo, captaram sinais do aparelho de Braga na noite de 19 de janeiro de 2002, quando Daniel estava desaparecido. Segundo os promotores, a região “fica nas proximidades do cativeiro e local do encontro do cadáver do prefeito”.

O parlamentar diz que estava no Palácio dos Bandeirantes, naquela noite, com lideranças do PT em reunião com o governador Geraldo Alckmin, de quem cobraram providências. Faziam parte da comitiva, o então presidente do partido, José Dirceu, atual chefe da Casa Civil, Vaccarezza e Professor Luizinho.

Para Vaccarezza, os promotores “fazem campanha eleitoreira, não agiram de forma ética e quebraram o sigilo telefônico de deputado sem autoridade constitucional para isso”. O promotor Roberto Wider disse que “a ofensa pessoal demonstra a fragilidade de argumentos na defesa do deputado”. Wider anotou que não houve quebra do sigilo de Braga. “Quebramos o sigilo de Sérgio Gomes (preso como mandante do crime) e obtivemos a relação das pessoas que fizeram contato com ele.”