Apreensão de cartas feita na Delegacia Federal de Cascavel (PR) revela um suposto plano de criminosos para atacar às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

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Em carta endereçada a Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho (CV), o remetente, que assina apenas Felipe, comunicou que o CV estaria disposto a enfrentar a polícia durante a “instalação da Unidade de Polícia Pacificadora em algum morro do Rio de Janeiro”.

Apesar de a correspondência não esclarecer o morro do confronto, o setor de inteligência do presídio interpretou que seria “possivelmente no Complexo do Alemão”, na zona norte do Rio, onde Marcinho VP foi chefe.

Em outra carta que a segurança do Presídio Federal de Catanduva, no Paraná, prendeu com a mulher de um preso, membro da facção CV, informa que depende apenas da autorização do traficante carioca Marco Antônio Pereira Firmino, o My Thor, para que seja assassinado algum membro do AfroReggae, entidade que trabalha na recuperação de jovens envolvidos no tráfico de drogas.

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Segundo a correspondência, alguém do AfroReggae “estaria repassando informações importantes das organizações criminosas para órgãos de repressão do governo”.

As duas cartas foram encontradas na quarta-feira por uma agente penitenciária com Rosângela Maria Ferreira, mulher do preso paranaense Washington Presence de Oliveira, de 23 anos, condenado a 80 anos de cadeia e transferido em outubro para o Presídio Federal depois de enforcar um preso na Penitenciária Estadual de Maringá. Rosângela, que está presa, confessou apenas ter recebido as cartas de um tal de Rodrigues.

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Marcinho VP seria informado pela correspondência apreendida que “diversos integrantes do Comando Vermelho estariam largando o crime e abandonando o grupo” depois da instalação das UPPs em morros dominados pela facção.

Já na carta remetida a My Thor, antigo chefe do tráfico no Morro Azul, no bairro do Flamengo, zona sul do Rio, há a informação de que os membros do Comando Vermelho em liberdade vão enfrentar as UPPs.

Segundo consta do registro policial, o “mais conveniente é que o ataque seja feito de forma concentrada contra apenas uma unidade, o que já seria suficiente para abalar as demais”.

A Secretaria de Segurança já foi informada do teor das cartas e está realizando investigações para verificar a veracidade das ameaças. O secretário José Mariano Beltrame disse que deixou claro que o maior risco não são as UPPs que correm, “mas aqueles que tentarem atacá-las”. A reportagem não conseguiu falar com os coordenadores do AfroReggae.