Flores, sachês, camisetas e pingentes para agradar aos americanos que desembarcaram ontem no Aeroporto Internacional Tom Jobim. Esta foi a estratégia do setor de turismo do Rio para tentar minimizar o desconforto pelo qual os americanos têm passado. Desde o início do ano, eles são fotografados e têm suas impressões digitais colhidas nos portos e aeroportos de todo o País. Uma portaria do governo federal, publicada anteontem, determina que a Polícia Federal continue a fichar os americanos.

?É uma forma carinhosa de dar boas-vindas. Queremos mostrar ao turista americano que sabemos recebê-lo?, disse o subsecretário estadual de Turismo Nilo Sérgio Félix. Foram preparados dois mil kits com os brindes, que também serão distribuídos hoje. Os turistas receberam uma camisa com a inscrição ?Rio loves you?, um pingente da H.Stern com a imagem do Pão-de-Açúcar, lenços umedecidos da Varig e uma rosa. A inciativa partiu da Secretaria Estadual de Turismo (Tursrio), em parceria com a Riotur e outros órgãos do setor.

Apesar de o movimento ter sido tranqüilo no aeroporto, os papiloscopistas da Polícia Federal que ficham os americanos ainda utilizavam a câmera digital para a foto e a tinta preta para colher as impressões digitais. A Infraero informou que, a partir de hoje, dois equipamentos mais modernos e rápidos entrarão em funcionamento. Eles já são usados no Recife e lêem a digital de forma eletrônica, sem manchar os dedos. A PF informou que, entre os dias 3 e 11 de janeiro, fichou 3.630 americanos no Rio.

Mesmo com os polegares sujos, os americanos ficaram surpresos e felizes com a recepção calorosa. Apesar disso, houve reclamações. ?Tive que tirar foto segurando um número e deixar minhas impressões digitais em São Paulo. Lá nos Estados Unidos, quando você faz isso, é porque vai para a prisão. Eu me senti um criminoso?, contou o corretor imobiliário Arabia Darensburg, de 30 anos.

O casal de americanos John e Stacey Hall também se queixou. ?Moro em Brasília e tive que me identificar aqui no Rio. Não sei nem por quê?, contou ele, que veio dos EUA com os cinco filhos para passear. Já a professora Connie Tillman, de 55 anos, não se importou. ?Nunca tive um tratamento desses em um aeroporto. Achei adorável?, disse ela, carregando o brinde.

Para saber o que os americanos hospedados na cidade pensam sobre a identificação obrigatória, 200 deles participaram de uma pesquisa entre os dias 9 e 11 deste mês. O estudo divulgado ontem foi elaborado por alunos de turismo de uma universidade particular, em parceria com a Riotur, e revelou que 80% dos norte-americanos acham a medida ineficaz. Para 55% deles a sensação de ser fichado é ruim e 65% acham que é uma retaliação. Apesar disso, 73% dos americanos afirmaram que voltariam ao Brasil.