Os tucanos reconhecem que Lula será um forte candidato, apesar da crise política. Por isso, a maioria avalia que Serra terá mesmo de ser seu adversário. Nas conversas de bastidores, admitem que se o presidente se enfraquecer para as eleições, a preferência por Serra também tenderia a desaparecer. Nesse caso, outros candidatos, como os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Aécio Neves (MG), seriam competitivos.
A tática eleitoral do PSDB prevê aliança com o PFL e com setores do PMDB. Tucanos e pefelistas ensaiaram a parceria na candidatura do deputado José Thomaz Nonô (PFL-AL) à presidência da Câmara. O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), Tasso Jereissati e o ex-presidente Fernando Henrique já decidiram que o candidato a vice será do PFL. O PSDB quer um nordestino, justamente para evitar que se crie a imagem de que se trata de uma candidatura paulista.
"Nossa tarefa agora é construir uma candidatura brasileira, mesmo que o candidato seja paulista", diz o líder no Senado, Arthur Virgílio (AM). A crise política serviu para recolocar o PSDB na disputa pela Presidência, ao mesmo tempo que indicou qual o melhor candidato para enfrentar o presidente Lula.
O resultado foi uma redução da tensão entre os principais pré-candidatos: José Serra e os governadores Geraldo Alckmin e Aécio Neves. Os tucanos vão escolher o candidato em março, prazo legal de desincompatibilização. Na época, deverão deixar seus cargos Alckmin (para disputar a Presidência ou o Senado) e Serra, para disputar a Presidência, caso as pesquisas continuem apontando-o como o candidato capaz de vencer Lula no segundo turno.
"Com Serra, o PSDB tem certeza absoluta de que estará no segundo turno, com chance de ganhar", diz o deputado Jutahy Magalhães Junior (BA). O atual quadro é um verdadeiro céu de brigadeiro em relação ao de 2002, quando Serra teve que abrir caminho à força para chegar ao segundo turno. Primeiro contou com a desestabilização da candidatura da senadora Roseana Sarney (PFL-MA) e depois com os erros cometidos pelo candidato da coligação PPS-PDT-PTB, Ciro Gomes.
Na reta final, Serra ainda teve que se impor diante do crescimento do candidato do PSB, Anthony Garotinho. Agora as pesquisas já o apontam num possível segundo turno e em condições competitivas.
"Mas não está resolvido quem será o candidato. Vamos escolher em março e as circunstâncias apontarão o melhor nome", resume o secretário-geral do PSDB, deputado Bismarck Maia (CE), tentando fazer mistério.


