Campeão de dengue, Jaguaré tem lixo espalhado nas ruas

Campeão de casos de dengue em São Paulo neste ano, o distrito do Jaguaré, na zona oeste, já registra a maior incidência da doença por bairro desde 2010, último dado disponível no site da Secretaria Municipal da Saúde. De acordo com o mais recente balanço da Prefeitura, antecipado nesta quinta-feira, 24, pelo Estado, o distrito chegou a 1.010 casos por 100 mil habitantes neste ano. O recorde anterior de um bairro foi registrado há quatro anos, quando o Butantã, também na zona oeste, teve 393,4 casos por 100 mil habitantes. Acima de 300, o índice já é considerado alto pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Jaguaré, que tem 0,44% da população paulistana, responde por 16% do total de casos. Mesmo com o surto, ainda há descaso do poder municipal e da população em relação ao controle dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. O Estado esteve no bairro nesta quinta-feira e encontrou vias tomadas por lixo.

Na Avenida Onófrio Milano, a montanha de sujeira e entulho é tanta que sobra apenas uma pequena faixa para a passagem de veículos. “Faz uns dois meses que está assim. A coleta fica até 15 dias sem passar”, disse a estudante Viviane Albuquerque, de 17 anos. A um quarteirão dali, na Avenida Torres de Oliveira, a situação é semelhante. “Tem um monte de potinho e latinha que juntam água quando chove e facilitam a criação do mosquito”, disse o serralheiro Antonio Joaquim Vicente Junior, de 31 anos, que trabalha na frente do lixão a céu aberto. Ele pegou dengue há 15 dias.

Ponto Viciado.

Questionada sobre o lixo, a Prefeitura afirmou que a coleta domiciliar é feita diariamente na região. Informou também que alguns locais, como a Avenida Torres de Oliveira, recebem a Operação Cata Bagulho semanalmente. A administração disse que as avenidas citadas pela reportagem “são pontos viciosos de lixo e entulho” e é necessária a colaboração da população. O descarte irregular é crime ambiental, com multa de até R$ 15 mil.

A Secretaria da Saúde disse que continua intensificando as ações de combate aos criadouros do mosquito no bairro, com visitas domiciliares diárias. “A cada notificação, os agentes visitam a casa do doente para eliminar criadouros”, disse Wilma Morimoto, da Coordenação de Vigilância em Saúde.

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