Brasília (AE) – A comissão externa da Câmara dos Deputados que analisa a crise aérea vota hoje o relatório final. Até a noite de ontem, porém, ainda não havia um consenso sobre o modelo de controle do tráfego aéreo que será proposto ao governo e às autoridades aeronáuticas. Pelo menos dois parlamentares – Alceu Collares (PDT-RS) e Alberto Fraga (PFL-DF) – já se mostraram favoráveis à desmilitarização. Outro grupo, formado pelos deputados Fernando Gabeira (PV-RJ), Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) e pelo relator da comissão, Carlos Willian (PTC-MG), votará pela manutenção do atual modelo.

Diante das divergências, dizem os parlamentares, o texto final deve concentrar-se nos aspectos técnicos e de gestão do controle do tráfego aéreo. ?Está claro que os equipamentos têm problemas e a crise foi provocada por falta de controladores?, avalia o relator.

Outra opinião comum dos parlamentares é a falta de planejamento da Aeronáutica. ?Houve um erro de planejamento e de investimentos?, diz Gabeira. Ele propõe duas medidas imediatas para solucionar a crise no setor: o reajuste salarial para os sargentos controladores e a adoção de um sistema de informações nos moldes civis.

Já o grupo de trabalho interministerial, designado pelo Ministério da Defesa para estudar medidas contra o apagão aéreo, concluiu ontem os trabalhos. O documento final propõe a criação de um órgão civil, subordinado à pasta, para cuidar do controle da aviação comercial. O grupo também pede a reformulação das carreiras e dos salários dos controladores, a implementação das resoluções do Conselho de Aviação Civil (Conac) e a revisão das normas que tratam das tarifas aeronáuticas e aeroportuárias.