| Foto: Wilson Dias/Agência Brasil |
| Aldo Rebelo: documento cita mais funcionários do que parlamentares. continua após a publicidade |
São 16 os deputados que serão investigados pela comissão de sindicância da Câmara criada para apurar as suspeitas de fraude na licitação e compra de ambulâncias superfaturadas. De acordo com a lista divulgada ontem pela mesa da Câmara, outros 36 deputados foram excluídos das investigações por não constarem, segundo entendimento da Câmara, indícios contra eles. Além disso, sobre outros três deputados que não foram incluídos nas investigações da comissão de sindicância, a mesa decidiu esperar apuração das investigações sobre os seus funcionários que foram acusados do recebimento de dinheiro para apurar eventual envolvimento.
Entre estes três, está o deputado Nilton Capixaba (PTB-RO) cuja assessor , em conversa com um empresário da empresa Planan, mencionava a possibilidade do assassinato de um jornalista que apurava o esquema. Há ainda uma lista com seis deputados que tiveram servidores presos na Operação Sanguessuga, mas a corregedoria vai esperar mais informações da investigação sobre os funcionários para decidir o procedimento que adotará a respeito deles.
A mesa da Câmara decidiu também que a corregedoria vai solicitar à Justiça informações sobre outros dois deputados citados para eliminar dúvidas existentes. Os deputados contra os quais a mesa considerou não haver indícios ou informações consistentes no documento da Polícia Federal foram excluídos das apurações.
Ao comentar como foram decididos os critérios para investigação dos deputados citados pela Operação Sanguessuga, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), afirmou que o documento da Justiça Federal cita com mais detalhes os funcionários do que os parlamentares. Isso porque os deputados possuem foro privilegiado e não foram investigados. A operação da Polícia Federal desarticulou uma quadrilha responsável por fraudar licitações e emendas parlamentares para superfaturar a compra de ambulâncias. ?Queremos dizer que as informações do documento da Justiça são mais substanciais sobre os servidores que foram investigados. Os parlamentares não foram investigados, nem pela Justiça Federal, nem pela Polícia Federal, nem pelo Ministério Público, porque só podem ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal?, disse.
Corregedor acha fundamental que servidora do MS deponha
Brasília (AE) – O corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), considera fundamental que a servidora do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, deponha na comissão de sindicância da Casa, que vai apurar o suposto envolvimento de deputados no esquema de fraude na licitação e no superfaturamento na compra de ambulâncias com recursos do Orçamento da União.
Ciro Nogueira disse que não recebeu a nova lista com parlamentares apontados por Penha Lino, que teriam recebido propina para apresentar emendas ao Orçamento, destinando recursos para a compra de ambulâncias. Em novo depoimento na noite de segunda-feira passada em Cuiabá, onde está presa, Penha Lino apontou 170 deputados que estariam envolvidos no esquema de fraude. ?É um número que assusta qualquer um?, afirmou o corregedor. ?É fundamental que ela (Penha) seja ouvida pela comissão de sindicância?, completou Ciro Nogueira. ?Qualquer pessoa acha (esse número de 170) um exagero. Espero que ela (Penha) tenha fundamento em sua denúncia. Espero que a Polícia Federal aprofunde mais um pouco (as investigações)?, disse Nogueira.
Ministério da Saúde vai reavaliar 2.600 convênios
Brasília (ABr) – O Ministério da Saúde determinou o rastreamento e análise de 2.600 convênios assinados nos últimos anos e ainda não-pagos. Outras providências que serão tomadas é a troca das senhas utilizadas pelo sistema de gestão do ministério e a checagem dos preços dos equipamentos comprados pelas prefeituras. As medidas foram anunciadas cinco dias após a deflagração da Operação Sanguessuga. ?Esses são processos que deram entrada no Ministério da Saúde e estão em diligência. Essa é uma prática comum no Ministério. Nós nunca liberamos recursos para algum projeto que tenha alguma pendência em qualquer natureza no processo?, garantiu o ministro.
Em relação à troca de senhas, Álvares disse que a troca já está sendo providenciada. Segundo ele, o Fundo Nacional de Saúde vai avaliar os instrumentos que possui para fazer a troca, que deve acontecer o mais rápido possível.
Já a checagem no preço dos equipamentos comprados pelas prefeituras, segundo o ministro, já é prática corrente no ministério. Mesmo assim, ele afirmou que um grupo de trabalho vai se reunir para discutir a melhor forma de executar essa ação.