Buratti preso acusado de tentar destruir provas

Ribeirão Preto (AE) – Rogério Tadeu Buratti, advogado e ex-secretário de governo do então prefeito Antônio Palocci (entre 1993 e 1994), atual ministro da Fazenda, foi preso ontem à tarde, em Ribeirão Preto. O mandado de prisão temporária, por cinco dias, prorrogável por outros cinco, foi informado a ele pelos promotores do Grupo de Atuação Especial Regional de Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), logo após o depoimento prestado ao delegado seccional, Benedito Antônio Valencise, no inquérito que apura possíveis fraudes em licitações de lixo em várias prefeituras paulistas e mineiras. O motivo da prisão, no entanto, foi outro inquérito, por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, aberto ontem, que apura a possível destruição de documentos que comprovariam negociações desses crimes.

Além de Buratti, o corretor de imóveis Claudinet Mauad, de São Joaquim da Barra, município da região, foi preso também ontem sob as mesmas acusações. Ambos foram levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP), de Ribeirão Preto, e serão ouvidos possivelmente a partir de hoje, segundo Valencise.

Para chegar ao pedido de prisão de Buratti e Mauad, os promotores do Gaerco solicitaram à Justiça a interceptação telefônica do corretor desde o início de agosto. Porém, foram nos últimos dias que surgiram as provas de que documentos poderiam ser destruídos. Além disso, foi analisada uma documentação recebida do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda.

Na segunda-feira, os promotores, com mandado de busca e apreensão, foram à casa de Mauad e apreenderam vários documentos como contratos de compra e venda e escritura pública de fazendas. Esses documentos indicam que Buratti, nos últimos dois anos, comprou três fazendas e ultimamente, duas empresas de ônibus, a Expresso Fadel, nas cidades de Rancharia e Presidente Venceslau.

Pelas informações, a primeira fazenda, em Ituverava, foi comprada por R$ 280 mil, depois trocada por outra, em Pedregulho (onde foram apreendidos vários documentos no início de 2004), por R$ 600 mil, que, por sua vez, foi trocada por outra, em Buritizeiro (MG), por cerca de R$ 1,2 milhão, segundo o promotor Aroldo Costa Filho.

Na última negociação, essa propriedade de Buritizeiro foi trocada, com participação de Mauad na negociação, pelas empresas de ônibus, no valor de R$ 2,6 milhões. Os promotores suspeitam que os valores foram superfaturados nas operações.

Grampo

?Doutor, está cheio de policial aqui na minha casa; o que eu faço??, disse Mauad, na segunda-feira, quando os promotores foram à sua residência, de acordo com as interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça. ?Corra lá e destrói tudo?, retrucou Buratti, na mesma ligação.

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