Apesar de afetar 7 milhões de brasileiros, ser a quinta causa de morte e quarta causa de internações no sistema público brasileiro, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), moléstia progressiva que une enfisema pulmonar e bronquite, é conhecida por apenas 5% da população. Para piorar, apenas 12% dos portadores da doença são diagnosticados corretamente – e, dos afetados, 88% são fumantes ou ex-fumantes. Os dados são de duas pesquisas divulgadas ontem, uma feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a outra realizada por diversos centros de pesquisa em 46 países, incluindo o Brasil.

Os estudos mostraram ainda que, enquanto as pessoas leigas desconhecem a doença, entre os médicos há também falta de preparo para diagnosticar e acompanhar esses pacientes. Isso porque 60% das pessoas estudadas não tinham sido submetidas a espirometria, exame que avalia a capacidade respiratória e é importante para o diagnóstico preciso e o acompanhamento da evolução da doença. ?Isso mostra que o exame ainda é subutilizado pelos médicos?, afirma o pneumologista José Jardim, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), responsável pela primeira pesquisa e coordenador do estudo internacional no Brasil.

O paciente acaba procurando ajuda médica apenas quando a doença já está num estágio avançado, e a pessoa acaba precisando, além dos medicamentos, de um respirador. Nesse estágio também, segundo a pesquisa, a cada crise respiratória os pacientes permanecem uma semana incapacitados para suas atividades normais.

A DPOC é uma doença progressiva, provocada pela exposição prolongada dos brônquios a substâncias tóxicas que estão na fumaça do cigarro. Por demorar cerca de 30 anos para se manifestar, ela geralmente afeta pessoas a partir dos 50 anos. No entanto, além do fumo, responsável por 90% dos casos, pessoas que tiveram contato com alguns tipos de fuligem (como quem trabalha em carvoarias) ou com fumaça de fogões a lenha também podem ser vítimas da doença. A DPOC não pode ser curada, mas o diagnóstico precoce auxilia na manutenção da qualidade de vida do paciente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.