Brasil tem R$ 1 bilhão para financiar jovens, mas não sabe como

Brasília (AE) – O governo federal tem, no orçamento de 2007, cerca de R$ 1 bilhão em programas para a juventude. São 20 ações, espalhadas por 18 ministérios e que passam por educação, formação profissional, lazer, esporte. Até agora, no entanto, o próprio governo não sabe dizer quem está atendendo, quais os efeitos na vida desses jovens, que resultados se pode esperar de tanto esforço.

O diagnóstico, feito pelo próprio governo e por especialistas é que, hoje, falta integração e avaliação dos programas. Há ações para todos os tipos de jovens, especialmente os em situação de risco social, e que tentam dar formação aos que não tem escolaridade completa, treinamento para o trabalho e mesmo bolsas universitárias para os que terminam o ensino médio, em programas como o Universidade para Todos (ProUni).

Mas, em muitos casos, o governo não consegue acompanhar os resultados desses programas. Há duas semanas, o secretário nacional de Juventude, Beto Cury, confirmou que o governo ainda tem dificuldades com a avaliação e acompanhamento dos programas e essa será a meta desse segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com a idéia de integrar os diferentes programas.

Uma das idéias citadas pelo presidente na quinta-feira, em café da manhã com jornalistas, foi a de que grandes empresas contratem jovens sem experiência para seu primeiro emprego. Essa era justamente a idéia inicial do programa Primeiro Emprego, que terminou sendo esquecido porque não funcionou.

A idéia de oferecer descontos em obrigações trabalhistas para que as empresas contratassem jovens inexperientes só funcionou para aquelas que já contratavam jovens – lanchonetes, centrais de telemarketing, supermercados -, que passaram a ganhar descontos para fazer o que já faziam. Ontem, o governo praticamente esqueceu essa versão e passou a investir nos Consórcios da Juventude, para treinar os jovens antes de tentar colocá-los no mercado de trabalho.

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