Brasília – O Brasil e a Índia declararam ontem o apoio mútuo para que os dois países sejam incorporados como membros plenos do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante encontro no Itamaraty, os ministros das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, e indiano, Yashwant Sinha, reafirmaram os compromissos dos dois governos em explorar a cooperação sul-sul – o estreitamento de relações em vários campos entre os países em desenvolvimento do hemisfério sul.
Também acertaram a assinatura de um acordo-quadro entre a Índia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), no dia 18, com o objetivo futuro de iniciar negociações sobre o livre comércio. No comunicado conjunto da visita de Sinha a Amorim, eles destacaram apenas a necessidade de um funcionamento “mais democrático” da ONU e de ampliação do Conselho de Segurança, projeto para o qual a Índia e o Brasil são “candidatos naturais”.
O ministro das Relações Exteriores da Índia, entretanto, foi um pouco além. “Claro que vamos nos apoiar mutuamente”, afirmou. “Nada a acrescentar”, retrucou o ministro das Relações Exteriores da Índia, em seguida. Com o apoio indiano, o Brasil conta com 13 declarações favoráveis à cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Nos últimos meses, houve expressões de suporte da França, Alemanha, Rússia, Vaticano, Austrália, Peru, Venezuela, Bolívia, Chile, Uruguai, Angola e Moçambique. O então presidente eleito da Argentina, Néstor Kirchner, havia seguido essa corrente, em Brasília. Mas, depois de empossado, essa manifestação foi desfeita pelo chanceler de Kirchner, Rafael Bielsa.
Encontro
Na manhã de ontem, Sinha encontrou-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem entregou um convite formal de visita ao país. No campo bilateral, Brasil e Índia pretendem expandir o intercâmbio comercial, que somou US$ 1 bilhão em 2002, a partir da diversificação dos bens exportados de lado a lado.


