São Paulo – O presidente do Grupo Votorantim, Antônio Ermírio de Moraes, afirmou ontem que o país está caminhando para a “anarquia total” ao comentar a invasão do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) à Fazenda do Una, pertencente à VCP (Votorantim Celulose e Papel). “O país está perdendo a bússola”, disse o empresário.

A propriedade, de cerca de 600 hectares, fica em Taubaté (a 130 km de São Paulo) e foi invadida na manhã de domingo por cerca de 150 integrantes do MST. Não houve confrontos entre sem-terra e policiais ou danos à fazenda. O que revoltou Ermírio foi o fato de a propriedade ter sido invadida mesmo sendo produtiva. Segundo o empresário, a Fazenda do Una tem plantação de eucaliptos que abastece a fábrica de papel da empresa. “Esta invasão foi um despropósito”, disse.

Ele afirmou também que não se conforma com o fato de o MST ter começado a invadir áreas produtivas e disse que essa nova estratégia do movimento “é uma tolice” e “não tem nexo”. “Em vez de ordem e progresso, o lema agora é desordem e retrocesso.” O empresário disse ainda que, pelas informações de que dispõe, a propriedade da VCP está sendo usada como passagem para outras invasões.

A Votorantim informou que vai entrar, na Justiça, com um pedido de reintegração de posse da Fazenda do Una. A plantação de eucaliptos ocupa metade das terras. O corte das árvores deve ser realizado em junho, quando elas completam sete anos. A outra metade da fazenda é composta de área de preservação e infra-estrutura.

Os sem-terra informaram que cortaram alguns eucaliptos para a construção de barracas. De acordo com a empresa, não foram registrados danos à propriedade. “Nós só cortamos para construir barraca, não foi para estragar”, disse Antônio Werneck, um dos coordenadores do MST na região. O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) não conseguiu dizer se a fazenda do grupo Votorantim é produtiva, pois os servidores do órgão estão em greve desde o dia 6.

Essa não é a primeira invasão de terras pertencentes ao Grupo Votorantim pelo MST. Em setembro de 2003, o mesmo problema aconteceu na fazenda Corumirim, de 740 hectares.