O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, rebateu, com ironia, a reação dos empresários à proposta anunciada ontem, pelo governo, de fazer uma desoneração da folha de pagamento das empresas, via redução da contribuição para o sistema ‘S’ – impostos repassados ao Serviço Social da Indústria (Sesi), ao Serviço Social do Comércio (Sesc), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Para o ministro, essas que integram o sistema ‘S’ têm condições de reduzir as suas despesas.

"Se olhar a sede dessas entidades, se vê que têm condições, sem dúvida nenhuma, se reduzir as despesas", afirmou o ministro ao chegar ao Congresso Nacional para uma audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que vai debater a emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2011. Ao comentar a reação negativa dos empresários à proposta, manifestada ontem, o ministro ironizou: "me parece claramente que eles acham que pimenta nos olhos dos outros é refresco". Para o ministro, os empresários do setor adotam "dois pesos e duas medidas" ao cobrar do governo redução dos gastos.

Ele também comentou que "quando se fala em acabar com a contribuição sindical do sindicato dos empregados eles (empresários) fizeram festa; quando se fala em reduzir, não é nem acabar, com as transferências para o sistema S, aí não pode, aí não está bom". O ministro disse que o fundamental, hoje, é fazer uma reforma tributária com redução gradual da carga tributária.

Ele disse que a aprovação pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que regulamenta a emenda 29, que trata de recursos para a saúde, resolveu uma grande questão que se arrastava por oito anos. Questionado se a aprovação poderia abrir espaço para a prorrogação da CPMF, respondeu: "pode ser que sim".