Brasília (AG) – O Banco do Brasil comprou para funcionários e clientes especiais 70 mesas para o show da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, realizado numa churrascaria de Brasília na semana passada e cuja renda foi doada para o PT comprar uma sede em São Paulo. O gasto do BB chegou a R$ 70 mil, já que cada mesa com quatro lugares custava R$ 1 mil. O show arrecadou R$ 500 mil, sendo que R$ 250 mil foram doados ao PT, segundo seu tesoureiro, Delúbio Soares.

A assessoria de imprensa do Banco do Brasil confirmou ontem a compra das 70 mesas. Também informou que o banco sabia que o objetivo era ajudar o PT. Mas a assessoria ressaltou que não houve patrocínio para o show. O Banco do Brasil também negou a existência de qualquer pedido de Delúbio Soares ou de outro integrante do PT ou do governo para a aquisição das 70 mesas.

Segundo informações do próprio Delúbio, o PT comprou 15 mesas para convidar líderes aliados de partidos da base governista. O show da dupla sertaneja causou polêmica. Zezé di Camargo e Luciano haviam apresentado um pedido de patrocínio de R$ 5 milhões ao Banco do Brasil para a turnê da dupla. Depois que a oposição ameaçou convocar o presidente do BB, Cássio Casseb, para dar explicações ao Senado sobre critérios para conceder patrocínio, a instituição resolveu negar o pedido da dupla.

Campanha

Zezé di Camargo e Luciano fizeram campanha em 2002 para o então candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. O Banco do Brasil explicou ontem que a instituição desenvolve um trabalho de marketing e relacionamento com os seus funcionários e clientes especiais. No caso do show de Zezé di Camargo e Luciano, os ingressos foram adquiridos para premiar funcionários que cumpriram metas da campanha promovida pelo banco para a venda de produtos como cartão de crédito. A assessoria informou que Casseb não iria falar sobre o assunto, mas argumentou que não há problema em comprar ingressos para um show, mesmo que a renda seja revertida para os cofres do PT.

À tarde, a assessoria de imprensa mudou a versão, dizendo que a direção do BB desconhecia que o show se destinava à arrecadação de fundos para o PT e que os ingressos foram adquiridos diretamente da empresa que promoveu o evento. A assessoria afirmou também que é prática normal comprar ingressos para shows e premiar clientes e funcionários. Como exemplo, o banco citou os ingressos adquiridos do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). A diferença é que o CCBB pertence ao Banco do Brasil.

Na semana passada, o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, anunciou ao lado do presidente do partido, José Genoino, uma grande campanha para arrecadar fundos para a compra da nova sede petista. O PT vai pedir doações que variam de R$ 5 mil a R$ 500 mil para empresários. Também haverá um leilão de obras de arte. Vários artistas estão sendo convocados para doar obras ao PT.

Festa em casa de senador gera polêmica

Uma festa na mansão do senador Valmir Amaral (PMDB-DF), na noite de terça-feira (dia 20), provocou várias reclamações na delegacia de polícia do Lago Sul, em Brasília. O parlamentar organizou a festa para comemorar o aniversário de 70 anos de seu pai, Dalmo, convidando ministros, senadores, deputados e empresários. De acordo com a Folha de S. Paulo, Amaral contratou duplas sertanejas, sanfoneiros, além dos cantores Leonardo e Ivete Sangalo.

Quando os shows começaram, os vizinhos passaram a ligar para a delegacia e a reclamar do barulho. Por volta da 1h, uma queima de fogos que durou 20 minutos irritou ainda mais os demais moradores. Os policiais informavam que já haviam estado na residência do senador, que argumentou ter autorização da administradora do Lago Sul para a festa. Os ministros José Dirceu (Casa Civil), Eunício Oliveira (Comunicações) e Amir Lando (Previdência) e o ex-presidente do STF, Maurício Correa, participaram do evento.

PFL cobra demissão de diretores

Brasília – O PFL reagiu à notícia de que o Banco do Brasil ajudou a patrocinar o show da dupla Zezé di Camargo e Luciano, realizado na semana passada em Brasília para arrecadar fundos para a construção da nova sede do PT em São Paulo. O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), disse que o governo deve demitir a diretoria do banco e afirmou que seu partido vai recorrer aos Ministério Público Federal e ao Tribunal de Contas da União. “Isso não é patrocínio, é uma doação direta de dinheiro público para o PT, que é quem governa o País. É um caso gravíssimo”, afirmou o senador.

Eis a íntegra da nota oficial do PFL: “Trata-se de uma ilegalidade brutal, cuja confirmação representa um verdadeiro deboche para com a sociedade brasileira. O PFL acionará o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União e tomará todas as medidas judiciais que se fizerem necessárias para que haja reparação e condenação dos responsáveis pela doação feita pelo Banco do Brasil aos cofres do PT”.