Se o controle da inflação tem resultado em ganhos para os trabalhadores nas negociações salariais, o mesmo não se pode dizer do crescimento da economia brasileira. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 2007 foi o primeiro ano, desde que os estudos foram iniciados, em 1996, que o crescimento do PIB (5 4%) superou a inflação média do período (3,9%), mas os reajustes acima da inflação chegaram a menos categorias e foram bem mais modestos do que em 2006, quando o PIB teve alta de 3,5% e a inflação média ficou em 3,8%.

Embora 87,7% das negociações em 2007 tenham obtido reajustes acima da inflação, número semelhante ao de 2006 (86,3%), desse total, somente 1,6% das categorias conseguiu aumentos reais acima de 5%, ante 2,5% em 2006. O porcentual de categorias que conseguiu aumentos reais entre 4,01% e 5% foi de 3% em 2006; em 2007, foi menor, de 1,3%. Os aumentos reais entre 3,01% e 4% chegaram a 8,1% em 2006, mas ficaram em apenas 3,2% em 2007. Aumentos reais entre 2,01% e 3% foram conquistados por 23% das categorias em 2006, e por 14,8% em 2007.

Em 2007, 40,5% das categorias conseguiu aumentos reais entre 1 01% e 2% – ante 33,1% em 2006. Os aumentos reais entre 0,01% e 1% foram obtidos por 38,6% das categorias – contra 30,3% em 2006. Segundo o Dieese, os números não preocupam, já que a pesquisa analisa apenas os ganhos salariais – não estão incluídos benefícios como Participação nos Lucros e Resultados (PLR), abonos salariais e ganhos indiretos, como aumento dos valores de auxílio-refeição ou diminuição da mensalidade do plano médico. Apesar disso, a entidade reconhece que a inflação, mesmo que baixa e sob controle, continua a determinar a magnitude dos reajustes salariais.

"O crescimento do PIB cria um ambiente econômico mais favorável para as negociações, mas isso não está se traduzindo em ganhos salariais para os trabalhadores", admite o supervisor do escritório regional do Dieese em São Paulo, José Silvestre Prado de Oliveira.