Audiência no Pará expõe violência no campo

Belém – Uma audiência pública com a presença de autoridades do governo federal, do estado do Pará e lideranças sindicais discutiu ontem as denúncias de violência contra trabalhadores rurais, sindicalistas, e integrantes do Movimento Rural dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no município de Rondon do Pará, que fica a 500 km de Belém.

"O objetivo é dialogar com as partes, buscar o entendimento sem o uso da violência", afirmou o secretário especial dos Direitos Humanos, ministro Nilmário Miranda, durante a abertura da audiência. Para o ministro, "os conflitos são normais e devem ser resolvidos pelo Judiciário ou pela negociação das partes envolvidas".

O ministro interino do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Casser, lembrou que "o Brasil é um dos únicos países do mundo em que a concentração de terra é maior que a de renda". Segundo ele, 98 mil famílias foram assentadas em 2004 e, em fevereiro, o governo quer assentar outras 10 mil famílias.

Com menos de 40 mil habitantes, Rondon do Pará está nas páginas de um relatório levado à Organização dos Estados Americanos (OEA) em razão das graves violações de direitos humanos que ocorrem na cidade. No dia 26, o trabalhador sem terra Carlos Coelho Freitas foi morto a tiros na região de Marabá (PA). A reunião discutiu também a grilagem de terra e o trabalho escravo.

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