São Paulo (AE) – Cerca de 500 pessoas participaram ontem de um ato religioso, nas escadarias da Catedral da Sé, em memória de um ano do massacre de sete moradores de rua no centro de São Paulo. Além de protestarem contra a impunidade, o grupo pediu justiça e solução a quem vive na rua. Ecumênico, o encontro reuniu o cardeal dom Cláudio Hummes, o rabino Henry Sobel, a monja budista Coen, e pastores evangélicos. Com faixas e cartazes, sem teto e militantes dos Direitos Humanos seguiram em passeata até a Câmara Municipal. No caminho, cantaram, pediram justiça e depositaram coroas de flores com nomes dos mortos diante da sede do Ministério Público, que ainda não apresentou denúncia contra os acusados da chacina.

Catadores de recicláveis aproveitaram para protestar contra a Prefeitura, que segundo eles, está tentando expulsá-los do centro sem oferecer alternativas de trabalho. Com carroças estacionadas diante da Câmara, eles reclamaram que até agora não foram recebidos pelo prefeito José Serra (PSDB-SP). Em assembléia, os moradores de rua decidiram fazer novos atos em todos dias 19, para lembrar o massacre, até que os responsáveis sejam punidos. ?Não vamos deixar que esse caso caia no esquecimento?, prometeu o padre Júlio Lancellotti. ?Nem agüentamos mais ouvir que resolver chacina é difícil. Por acaso, só matar povo de rua é fácil??

O secretário-adjunto nacional de Direitos Humanos, Mário Memed, que veio de Brasília para acompanhar a caminhada, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo informado sobre as investigações. Em reunião com o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, Mamed pediu empenho na solução do caso, depois reuniu-se com representantes do povo da rua.

Denúncia

A demora em punir culpados pelo massacre dos moradores de rua pode arranhar a imagem do Brasil no exterior. Na próxima semana, a Fundação Interamericana de Defesa dos Direitos Humanos deve enviar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) denúncia sobre o caso. Em dezembro do ano passado a mesma ong já havia tentado, junto ao procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que requeresse ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) a federalização do julgamento do massacre, por entender que a presença de policiais militares entre os acusados poderia causar dificuldades.