São Paulo

– O Instituto Vox Populi divulgou ontem uma nova rodada de pesquisa que confirma o avanço de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na preferência do eleitor brasileiro e aumentam as chances do petista vencer no primeiro turno. Lula tem 42% dos votos válidos, contra 39% da pesquisa anterior. José Serra (PSDB), caiu de 19% para 17%; Ciro Gomes (PPS), caiu de 17% para 15%; e Anthony Garotinho (PSB), manteve os 12% da pesquisa anterior. O Vox Populi ouviu 2.800 pessoas em 172 municípios, entre os dias 15 e 16 de setembro. O presidente do Vox Populi, o cientista político Marcos Coimbra, descreveu como “possibilidade real” a vitória de Lula já no primeiro turno.

Para que isso aconteça, Lula precisaria ter 50 por cento dos votos válidos, ou seja, pelo menos um voto a mais do que a soma de todos os adversários. No panorama atual, o petista está a três pontos percentuais de evitar o segundo turno. No entanto, apesar dos números, especialistas acreditam que seja difícil Lula conseguir este objetivo. Por dois motivos: a partir de agora o petista vai enfrentar dificuldades. Primeiro, os ataques concentrados de seus adversários, algo inédito na campanha de Lula até agora. Segundo, o universo nebuloso dos eleitores indecisos.

Os 10% de eleitores indecisos, de acordo com Márcia Cavallari, diretora do Ibope, devem definir seu voto apenas na reta final da campanha. “O eleitor está decidindo mais tarde seu voto. Está esperando até o último momento para não errar”, afirmou. A diretora do Ibope citou o debate entre os candidatos à presidência no próximo dia 3, na Rede Globo, como “uma variável importante” para a definição do voto do eleitor indeciso porque encerra a propaganda eleitoral.

Márcia também acredita que ao adotar uma estratégia de ataques contra Lula, Serra pode sustar o crescimento de Lula. “É possível. Dependerá do poder de convencimento ou competência dos candidatos de mostrar que é o melhor”, disse ela, ponderando que o eleitor está interessado em propostas. A diretora do Ibope alertou para as possíveis conseqüências de ataques excessivos. “Dependendo da dose, vira briga política e as pessoas não sabem quem está com a verdade”, disse.

A socióloga Fátima Pacheco Jordão, analista de pesquisa do Grupo Estado, também acredita na importância dos indecisos e que a proporção real de eleitores indecisos é maior do que a apresentada pelas pesquisas de opinião.