Isabel Mendes da Cunha, de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais, é uma artesã humilde, dotada de grande capacidade artística.

Focalizada em um documentário da TV Cultura (“Documentário Brasil”),conta que modela esculturas de mulheres em barro desde os oito anos de idade. A perfeição de formas e, principalmente, a expressão dos rostos dessas bonecas (quase sempre construídas em tamanho natural) impressionam. São noivas, mães que amamentam filhos, moças vaidosas, enfeitadas com brincos, colares e flores, muitas flores, tudo feito em barro colorido naturalmente . Sua técnica, simples ao extremo, consiste em fazer separadamente a cabeça e a “bolinha” do olho, fundamental para a expressão facial, completada por dedos hábeis que moldam nariz, boca e orelhas. Ensinada a muita gente, sua técnica pede como material apenas a coiteba (espécie de cuia), a água e a terra, encontrada em cores diferentes no local. “Aí, só amassa e faz a peça”, explica em sua simplicidade.

Por que fazer somente mulheres?

“Porque a mulher é sempre a parte fraca”, explica Isabel, “mas é corajosa, não esmorece.”

Isabel é o exemplo vivo da gente e da terra em que vive.

Iguais a ela, quantas Isabéis já tivemos e ainda temos?

Conhecidas ou anônimas, elas fazem a nossa história, no dia-a-dia de sua labuta, quer seja nas universidades, nos escritórios das grandes empresas ou nas taperas, nos sertões, nas plantações do interior e nas favelas das capitais.

Vamos prestar mais atenção às Isabéis do nosso País: elas têm muito a nos ensinar.