Buenos Aires

– O anúncio da esquerdista Central de Trabalhadores Argentinos (CTA) de que promoverá a criação de uma nova força política semelhante ao Partido dos Trabalhadores (PT) brasileiro gerou ontem uma animada controvérsia. Em declarações ao semanário Tres Puntos, o secretário da CTA, Víctor de Gennaro, confirmou que durante a campanha eleitoral em São Paulo o agora presidente eleito do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ergueu o braço e declarou: “Este é o meu candidato na Argentina”.

De Gennaro, líder do combativo sindicato de trabalhadores estatais, admitiu que a experiência brasileira “é única. (Mas) o que é certo é que nós estamos em condições de construir um movimento político novo na Argentina. E que estamos trabalhando nessa direção”. A CTA, organizada em meados da década passada, quebrou o monopólio sindical que exercia a peronista Confederação Geral do Trabalho (CGT), agora muito debilitada pela grave crise econômica argentina e dividida em dois grupos.

Estima-se que a CTA tenha um milhão de filiados, especialmente entre funcionários estatais, professores, jornalistas e setores dissidente da CGT. Além disso, a CTA empreendeu a organização – com êxito considerável – dos desempregados e dos habitantes dos bairros pobres da Argentina.