São Paulo (AE) – O secretário de segurança pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu, afirmou ontem que gostaria de ter a ajuda do Exército no combate à onda de violência no estado. ?Eu quero o exército para esse papel. Se aceitar, pode vir que será bem-vindo.? Ele diz que seriam necessários pelo menos 4,5 mil homens do Exército – 1,5 mil por turno – para ajudar ?com eficácia? no combate à criminalidade. O secretário disse, porém, que os soldados teriam apenas tarefas específicas, como a segurança de presídios destruídos em rebeliões e o reforço de efetivo nas Operações Saturação por Tropas Especiais (Ostes). As Ostes são feitas pela Polícia Militar em favelas da capital e da Grande São Paulo para sufocar o tráfico de drogas.

continua após a publicidade

O ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos afirmou que pretende reiterar a oferta de tropas federais e de pelo menos 40 vagas para presos ligados ao PCC no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, ao governador Cláudio Lembo (PFL). O ministro disse que, se o governo de São Paulo tivesse aceitado as tropas federais, os ataques da madrugada de ontem não teriam acontecido. ?Eu acredito que, se a gente colocasse a operação do Exército aqui, teria efeito dissuasório muito grande, como teria sido em maio, como teria sido em junho. O Exército não é preparado para isso, mas funcionou muito bem nas emergências. Não quero colocar a faca no peito do governador?, disse. Bastos enfatizou que a questão da segurança deve ser tratada de forma diferenciada, longe das disputas eleitorais.

Thomaz Bastos eximiu-se de responder sobre uma possível falha na inteligência, afirmando que a integração entre as inteligências do estado e da União ainda está em processo e garantiu que quando estiver concluído, vai funcionar. Sobre os R$ 100 milhões liberados do Fundo Nacional Penitenciário para a Secretaria Estadual da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo e ainda não utilizados, o ministro culpou a secretaria por não haver apresentado projeto algum para o emprego da verba.

Estado sofreu 78 ataques

continua após a publicidade

São Paulo (AE) – No final da tarde de ontem, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo divulgou um balanço, segundo o qual foram registrados 78 ataques, com 93 alvos atingidos, na terceira onda de violência atribuída à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Quatro civis e um vigilante de banco ficaram feridos. Dois suspeitos de participarem dos ataques foram mortos em confrontos com a polícia e outros 12 foram presos, seis com passagem pela polícia.

continua após a publicidade

Os ataques não ficaram restritos à capital e à região metropolitana. Cinco cidades do interior, Santa Bárbara, Sumaré, Nova Odessa, Jundiaí e Lucélia, também foram alvo de ataques.

Na Baixada Santista, 3 delegacias (uma em Santos, outra em Cubatão e outra no Guarujá), um banco, em Praia Grande, e uma loja de carros, em Santos, foram alvo de ataques.

A nova onda de ataques começou na madrugada. Órgãos do estado e civis – como 5 ônibus, 11 agências bancárias, caixas eletrônicos e três postos de gasolina – voltaram a ser atingidos.

Até as eleições

Para o comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, coronel Eliseu Ecler, os ataques criminosos devem acontecer até as eleições de outubro. Segundo ele, é possível fazer essa previsão por causa das escutas telefônicas recebidas pelas polícias Civil e Federal. Segundo ele, das 12 pessoas presas após os ataques criminosos desde a madrugada na capital, seis já tinham passagem pela polícia.

Ecler disse ainda que policiais à paisana estarão nos ônibus da capital e que esta medida também deverá ser adotada nos municípios da Grande São Paulo.

Ação contra Marcola motivou PCC

São Paulo (AE) – A nova onda de ataques que atinge São Paulo desde a madrugada de ontem seria conseqüência das medidas que o Ministério Público Estadual (MPE) tem tomado contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), de acordo com o promotor Rodrigo Pinho. Domingo, a polícia prendeu em Praia Grande, no litoral paulista, um líder da facção acusado de ser um dos responsáveis pelos ataques recentes.

De acordo com Pinho, essas medidas seriam a denúncia do Ministério Público contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado líder do PCC. Marcola foi interrogado na sexta-feira, acusado de participação na morte do bombeiro João Alberto da Costa, em 12 de maio, durante a primeira onda de ataques atribuída à facção. ?Não vamos nos intimidar com esses ataques?, declarou Pinho.

Ministério Público foi um dos alvos

São Paulo (ABr) – A explosão da bomba na porta do Ministério Público de São Paulo causou um buraco na fachada do prédio, localizado na Rua Riachuelo, próximo à Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, no centro da capital. O artefato explodiu durante a madrugada, horário em que não havia, segundo informações da polícia, funcionários da segurança no prédio.

A área foi isolada e uma equipe da perícia da Polícia Civil de São Paulo analisou o local para identificar as causas. O laudo deve ficar pronto em 30 dias. A explosão foi uma da nova série de ataques atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que incluiu agências bancárias e ônibus públicos.

Na entrada do prédio do Ministério Público, a porta de ferro foi destruída. Um buraco de cerca 20 centímetros ficou na parede. Com a pressão da explosão, o forro do hall de entrada desabou sobre detectores de metais e computadores. Todos os vidros do prédio até o quarto andar foram estilhaçados.