O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu abrir ontem uma negociação que pode facilitar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011 e salvar uma receita anual de cerca de R$ 40 bilhões. Lula tomou ontem café da manhã com o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), que, na segunda-feira, quando o presidente estava na Argentina para a posse de Cristina Kirchner, telefonou pedindo uma audiência para tratar do apoio da União a um empréstimo de US$ 250 milhões, do Banco Mundial (Bird), para o DF.
Lula prometeu receber Arruda, mas ontem, inverteu os papéis: pediu e foi recebido na residência oficial de Águas Claras para solicitar ao governador que intercedesse no DEM para a prorrogação da CPMF. Pediu ainda ajuda para que o partido não cobre de volta na Justiça Eleitoral os mandatos dos ex-filiados Romeu Tuma (PTB-SP) e César Borges (PR-BA), caso votem a favor da CPMF. Na aparência, Lula foi para pedir apoio do DEM, mas conseguiu também ajuda para fazer a ponte com o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), que seria sensibilizado ao longo do dia com a proposta de renegociar a dívida do Estado de Goiás junto ao Tesouro Nacional.
Com os tucanos pressionados pelos interesses dos governadores em melhorar o perfil das suas dívidas – o que, além de Perillo, interessa à governadora tucana, Yeda Crusius (RS), o Planalto avisou aos aliados que dissidentes passarão a ser tratados como oposição. Um líder governista avisou a senadores indecisos da base que, "assim como o governo sabe fazer bondades, também sabe fazer maldades". Esse líder lembrou que o governo "não termina nessa votação", que ainda há vários anos. "É a hora de provar quem é da base. Quem não votar, pode procurar a oposição", deixou claro.
Por conta desse cenário, o governo terminou o dia sem saber se aprovará a CPMF e reconhecendo que pode mesmo ser derrotado. Os governistas voltaram a falar que tinham a esperança de virar o voto de Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), um dos dissidentes da base. Mozarildo reafirmou que não recua. "Como médico, sei que a CPMF não se presta para a saúde; como senador, sofri de forte violência política, quando fui afastado da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ)." No mês passado, ele foi tirado da comissão pela líder do PT, Ideli Salvatti (SC), diante da afirmativa de que votaria contra a CPMF. Depois disso o PTB rompeu com o bloco do governo na Casa e se declarou independente.


